Jornalismo e Política

segunda-feira, agosto 11, 2008

Evo supera votação de 2005 e ganha força

De acordo com pesquisa de boca-de-urna, presidente da Bolívia conquista 6% a mais de votos que em sua eleição e vê revogação de dois governadores da oposição; no entanto, meia-lua permanece e também sai fortalecida do pleito

Igor Ojeda
Correspondente do Brasil de Fato em Villa Tunari (Bolívia)


O presidente boliviano, Evo Morales, saiu fortalecido do referendo revogatório realizado neste domingo (10). De acordo com pesquisa de boca-de-urna da Unitel, principal rede de televisão do país, 60,12% do eleitorado do país votou por sua permanência, uma porcentagem mais de 6% maior que a obtida nas eleições presidenciais de 2005 (53,74%).

Além disso, dois governadores da oposição, segundo as projeções, foram revogados por ampla margem. O de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, teve um rechaço de 66%, enquanto o de La Paz, José Luiz Paredes, foi repudiado por 64,28%.

Manfred era um dos principais nomes da direita boliviana e um forte aliado da demanda pelas autonomias departamentais. Após a divulgação dos resultados, ressaltou, em coletiva de imprensa, o que vinha dizendo anteriormente: que não sai do governo, pois, segundo ele, o referendo revogatório é inconstitucional, por não estar previsto na atual Constituição da Bolívia. Na ocasião, afirmou também que empreendará uma "batalha" jurídica para permanecer no cargo.

O amplo repúdio a Manfred se deveu, principalmente, à votação da área rural do departamento. Nacionalmente, o campo vem apoiando as políticas de Evo Morales, mas o caso de Cochabamba é singular, dado o apoio quase unânime a ele no Chapare, região produtora de folha de coca onde o presidente se projetou politicamente e berço do Movimiento Al Socialismo (MAS), seu partido.

Nas cidades que integram a zona, pode-se observar facilmente tal respaldo. Às vésperas do referendo, bandeiras, faixas e grafites azuis, pretos e brancos (as cores do MAS) adornavam a maior parte das casas e do comércio.

"Evo sempre nos defendeu em relação à questão da terra, as pessoas muito pobres... ele defende a classe de baixo, as pessoas sofridas", diz Edilia Torres Quiroga, que trabalha no setor de hotelaria de Villa Tunari, cidade do Chapare.

Edilia, além de votar a favor do presidente, optou pelo "não" a Manfred. "Ele faz parte do grupo de políticos antigos, que já governaram, e por culpa deles é que estamos assim. Não mudaram a Bolívia".

Alfredo Sorita, dono de um açougue no mercado municipal da cidade, diz acreditar que todos na região estão contra o governador do departamento e favoráveis a Evo, "porque ele está fazendo as mudanças. Está melhorando os colégios, construindo ginásios para as escolas. Depois do referendo, ele terá mais força, vai ser melhor para governar".

Meia-lua segue
A derrota da oposição em Cochabamba e La Paz pode representar a consolidação do "controle" do MAS sobre essas duas regiões caso ganhe as novas eleições, que apresentam grande respaldo a Evo, mas cujos governadores eram contrários a ele.

No entanto, as autoridades opositoras da chamada meia-lua (Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando) também conquistaram sua permanência por boa margem, ainda segundo a boca-de-urna.

Rubén Costas, de Santa Cruz, obteve o apoio de 69,46%; Mario Cossío, de Tarija, 57,83%; Ernesto Suárez, de Beni, 67,72%; e Leopoldo Fernández, de Pando, 57,36%. Tais resultados podem indicar que, embora o governo Evo tenha ganhado força nacionalmente, o impasse político deve permanecer.

De acordo com a pesquisa, em Potosí, o governador Mario Virreyra, do MAS, alcançou o apoio de 70,78%. Já o outro líder regional governista, Alberto Aguillar, de Oruro, corre risco de ser revogado, pois teria obtido um repúdio de 50,81%.

Os dados de Oruro podem gerar interpretações distintas. Isso porque, de acordo com a lei que convocou o referendo revogatório, aprovada pelo Senado boliviano em maio, a porcentagem necessária para revogar uma autoridade deveria superar a atingida nas eleições de 2005. No entanto, segundo a Corte Nacional Eleitoral (CNE), a revogação dos governadores se dará se o "não" representar 50% mais um dos votos válidos (a do presidente permaneceria em 53,74%).

Se o critério considerado for o do Congresso, Aguillar seria revogado (venceu, em 2005, com 40,95%). Porém, se for seguida a interpretação da CNE, é preciso esperar a conclusão da apuração, já que a vitória do "sim" ou do "não" em Oruro está dentro da margem de erro da pesquisa de boca-de-urna. Em relação às demais autoridades, os resultados estariam consolidados qualquer que seja o critério utilizado.

Fonte: Brasil de Fato

terça-feira, agosto 05, 2008

Honduras vai se incorporar à Alba

Para o presidente Manuel Zelaya, os planos de integração promovidos pela Venezuela são uma nova resposta a velhos problemas da América Latina e especialmente da África que não foram solucionados com as atuais estruturas

1º/08/2008

Prensa LatinaTegucigalpa (Honduras)

Alba se constitui como instrumento de intercâmbio para a região

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, assegurou que seu país se transformará em um membro pleno da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba). "Com a Alba se abrem novas oportunidades para o país, para os pobres da região", expressou o presidente na Primeira Cúpula de Ministros de Agricultura do mecanismo integrador Petrocaribe. O encontro foi realizado na quarta-feira (30), neste país.

Zelaya recordou que Honduras faz parte do acordo petroleiro e esteve como observador da iniciativa impulsionada pelo governo do presidente Hugo Chávez, surgida em resposta à proposta estadunidense de criar sob sua hegemonia a Área de Livre Comércio para as Américas (Alca), informou hoje o jornal El Heraldo. Os Estados Unidos também mantêm um Tratado de Livre Comércio (TLC) com países da América Central – acordo conhecido como Cafta, por sua sigla em inglês.

"Mantendo os esquemas tradicionais não sairemos adiante. Esta é uma boa opção, estes são projetos, este é investimento, este é o futuro da América Central e do Caribe", assinalou o governante a respeito dos benefícios do programa Petroalimentos. De acordo com o também Zelaya, os planos de integração promovidos pela Venezuela são uma nova resposta a velhos problemas em quase todos os países da América Latina e, especialmente, da África que não foram solucionados com as estruturas atuais.

Hoje, a Alba reúne quatro nações – Venezuela, Cuba, Bolívia e Nicarágua. Seu princípio é de uma proposta de integração para o continente sedimentada na complementariedade das nações. Idealizada como um contraponto aos Tratados de Livre Comércio (como a Alca), a Alba prioriza acordos nas áreas sociais, como em educação e saúde.

Um dos principais acordos entre os países da Alba é a Operação Milagre, que leva assistência oftamológica às populações sem acesso ao serviço de saúde pública. Estima-se que cerca de 1,2 milhão de latino-americanos e caribenhos já recuperaram a visão por conta da iniciativa. Venezuela, Nicarágua e Bolívia também recebem apoio de Cuba no combate ao analfabetismo. O método cubano Yo, si puedo já foi utilizado por Hugo Chávez. A Venezuela, em 1995, foi declarada país livre do analfabetismo pela Unesco. Agora a Bolívia também persegue esse mesmo objetivo e, em dois anos, o governo Evo Morales reduziu pela metade o número de analfabetos no país.

A solidariedade entre estes países também é um diferencial na proposta de integração. A Venezuela, que detém a quarta maior reserva mundial de petróleo, vende barris às nações que integram a Alba em condições mais favoráveis: prazo de 90 dias para o pagamento de 50%. Dos 50% restantes, 25% teria um prazo de 25 anos para pagar (com dois anos de carência a uma taxa de 2%) e 25% seriam colocados num fundo da Alba para créditos a pequenos projetos.

Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia negociam, agora, a constituição do Banco da Alba, uma instituição financeira supranacional que terá o objetivo de financiar projetos de desenvolvimento para os integrantes do bloco.

A Primeira Cúpula de Ministros de Agricultura da Petrocaribe concluiu com a criação de um conselho encarregado de definir a distribuição de 460 milhões de dólares contribuídos pela Venezuela para reativar os setores agrícolas dos países-membros do fórum.

Fonte: Brasil de Fato

Equador notificou aos EUA que deverá abandonar Manta em novembro de 2009

Decisão confirma promessa do presidente Rafael Correa; acordo sobre a base de Manta havia sido aprovado durante o governo do ex-presidente equatoriano Jamil Mahuad, fiel aliado dos EUA

30/07/2008

da TeleSur

O governo do Equador notificou formalmente, terça-feira(29), os Estados Unidos de que deverá desalojar a base militar de Manta em novembro de 2009, data em que se vence a concessão para ocupar este recinto.

O Ministério de Relações Exteriores enviou uma notificação à embaixada estadunidense em Quito e explica a decisão do Executivo de dar por encerrado o “Acordo de Cooperação” bilateral assinado em 12 de novembro de 1999 sobre o uso da Base Militar Eloy Alfaro pelas tropas estadunidenses.

Esse acordo estabelecia o “acesso e uso por parte dos Estados Unidos da América das instalações da Base da Força Aérea Equatoriana em Manta para atividades antinarcóticos”, pontuou um comunicado da Chancelaria. O texto também assinala que em conversações sustentadas previamente com funcionários estadunidenses já se havia acordado que as operações terminariam em agosto de 2009.

“Em conversações mantidas com funcionários estadunidenses se acordou que as operações que se realizam (no posto de Manta), amparadas no mencionado acordo, terminem no mês de agosto de 2009”, acrescenta a notificação. Segundo o acordo, “as instalações do Posto da Avançada estadunidense (FOL, por sua sigla em inglês) serão transferidas à autoridade correspondente da Força Aérea Equatoriana”, detalhou o texto da Chancelaria.

O acordo sobre a base de Manta foi aprovado durante o governo do ex-presidente equatoriano Jamil Mahuad, fiel aliado dos Estados Unidos, cujo mandato encerrou antecipadamente em janeiro de 2000, depois de que aprovara a dolarização da economia equatoriana e em meio a pior crise financeira da história do país.

Cerca de 300 soldados estadunidenses estão instalados na base sobre a costa do Pacífico, de onde patrulham aviões AWACS equipados de radares. A presença do contingente desses militares em Manta gerou, desde a sua instalação, suspeitas de amplos setores sociais do Equador, que asseguravam que o posto servia para apoiar o Plano Colômbia, uma operação militar que Washington mantém com Bogotá sob o pretexto de contribuir para pacificar o país vizinho, em guerra interna há 60 anos.

Além disso, a captura e afundamento, em águas próximas à base, de barcos pesqueiros que transportavam ilegalmente a imigrantes equatorianos para os Estados Unidos, aumentou as críticas sobre o convênio com o gigante norte-americano.

Já o presidente Rafael Correa havia anunciado desde a campanha eleitoral, que o levou ao poder em janeiro de 2007, sua decisão de dar por encerrado o acordo com Washington. Por sua vez, a Casa Branca assegura que respeitará a decisão de Quito e que retirará a seus homens quando chegar o momento.

Fonte: Brasil de Fato

Brasil, Argentina e Venezuela reforçam integração regional

da Efe, em Buenos Aires

Brasil, Argentina e Venezuela deram hoje um novo sinal de unidade com uma minicúpula presidencial em Buenos Aires na qual se propôs relançar o chamado Gasoduto do Sul e incorporar na agenda regional o tema do transporte.

Em um encontro que durou pouco mais de meia hora na sede da Chancelaria, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos chefes de Estado da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, concordaram em voltar a se reunir no dia 6 de setembro em Pernambuco.

O encontro de hoje foi qualificado de "muito positivo" pelas poucas vozes oficiais que informaram sobre o conteúdo da reunião, entre eles Chávez.

"É o momento de retomar o tema do Gasoduto do Sul, que une Caracas à Buenos Aires, que tinha sido abandonado durante um tempo", ressaltou o presidente venezuelano em declarações à agência estatal argentina Télam.

Chávez falou também da necessidade "de ter conteúdo, com projetos tangíveis" à integração entre os três países.

"Concordamos sobre a necessidade de criar empresas com capital dos três países em setores como o petroquímico e o energético", declarou o venezuelano.

Segundo Chávez, os três governantes concordaram sobre a necessidade de criar "empresas (...) multiestatais, em gás, petroquímica, e outros setores", um tema que será aprofundado na reunião de Pernambuco.

"Ferrovia do sul"
No encontro também foi mencionada a possibilidade de criar uma ferrovia do sul, que ligue Buenos Aires à Caracas.

A embaixadora argentina em Caracas, Alicia Castro, ressaltou a importância de que o tema do transporte tenha voltado a ingressar na agenda regional.

"A possibilidade de que as Aerolíneas Argentinas (controlada pelo grupo espanhol Marsans) fique em mãos do Estado daria a possibilidade de fazer uma aliança com a linha aérea estatal venezuelana (Conviasa) e com uma empresa aérea (...) designada do Brasil, de modo a ter nossas Aerolíneas del Sur", disse à imprensa.

O chanceler argentino, Jorge Taiana, explicou que os presidentes também tiveram a possibilidade de "falar sobre a situação regional e da União de Nações Sul-americanas (Unasul)".

O chanceler Celso Amorim chamou o encontro de "muito positivo" e ressaltou os esforços para promover a integração feita pelos governos dos três países.

A minicúpula presidencial não estava na agenda oficial dos presidentes e, inclusive, rumores indicavam que seria suspensa porque Chávez chegou atrasado à sede da Chancelaria, onde esperavam Cristina e Lula.

Lula tinha chegado no domingo a Buenos Aires, à frente de uma delegação integrada por boa parte de seu gabinete e cerca de 300 empresários.

Fórum empresarial
Lula e Cristina presidiram hoje o maior fórum empresarial binacional convocado em mais de 20 anos de integração bilateral, no qual solicitaram aos homens de negócios que impulsionassem a integração e aprofundassem "a aliança produtiva" entre Argentina e Brasil.

Mais tarde, e antes que Chávez se unisse a eles, Lula e Cristina se reuniram para abordar a situação dos países emergentes perante a situação mundial e para analisar projetos de cooperação.

Sobre isso, a ministra argentina de Defesa, Nilda Garré, confirmou que uma delegação da Embraer visitará a Argentina na próxima semana para avaliar a possibilidade de produzir no país equipamento para um avião de transporte.

A viagem de Lula aconteceu depois das posições divergentes do Brasil e da Argentina sobre a abertura de mercados industriais durante as frustradas negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Depois da reunião trilateral, Lula retornou ao Brasil e Chávez acompanhou Cristina a um ato nos arredores de Buenos Aires, no qual esteve presente o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007), marido da chefe de Estado.

Chávez presidirá amanhã um encontro com cerca de 200 empresários argentinos na sede da Chancelaria e, posteriormente, com Cristina, viajará para Bolívia para se reunir com o presidente boliviano, Evo Morales, na cidade de Tarija.

Fonte: Folha Online