Jornalismo e Política

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Ahmadinejad afirma que "Israel nunca terá a ousadia" de atacar o Irã

Vale a pena dar uma lida nas declarações do presidente do Irã a respeito de diversos assuntos que tangem a política externa mundial, voltada para o Roeinte Médio.

Da Agência EFE

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou não temer um ataque nuclear israelense, por considerar que "Israel conhece bem a potência do povo iraniano".

"Israel nunca terá a ousadia de nos atacar. Nem eles nem seus amos", disse o presidente em entrevista concedida em Manágua, uma das capitais visitadas por Ahmadinejad em sua recente viagem à América Latina, e publicada hoje pelo jornal espanhol "El Mundo".

O presidente iraniano afirmou que "todos os povos do Oriente Médio odeiam o regime sionista".

Na sua opinião, trata-se de um regime "imposto, ditatorial, totalitário, na região, que está interessado em prejudicar o povo iraniano".

Após ressaltar as boas relações do Irã com a Venezuela e a Nicarágua, o presidente iraniano afirmou que chegou o momento de "as grandes potências mudarem suas percepções sobre os assuntos internacionais e sobre a região (o Oriente Médio)".

Ahmadinejad se perguntou por que britânicos e americanos continuam no Iraque, para em seguida dizer que o "problema do Iraque é a presença de tropas estrangeiras. O Irã apóia sua independência e desenvolvimento".

Perguntado se a execução de Saddam Hussein fomentará ainda mais a divisão entre sunitas e xiitas, o presidente disse que "os conflitos entre xiitas e sunitas só apareceram no Iraque depois da intervenção britânica e americana".

"(Os EUA e o Reino Unido) Pensaram que tirando um personagem tão odiado podiam permanecer na região e ganhar a simpatia da população.

O resultado foi totalmente diferente do esperado, porque britânicos e americanos são hoje odiados por todos os povos da região".

O presidente iraniano deseja que o país vizinho "alcance a paz, em benefício de todos, porque o Irã é o primeiro prejudicado pela insegurança existente no Iraque" e oferece seu apoio a "qualquer pedido de ajuda que o Governo iraquiano venha a fazer".

Na entrevista publicada pelo jornal espanhol, Ahmadinejad refletiu sobre o Holocausto e se perguntou "onde este ocorreu, se realmente existiu, e que culpa tem o povo palestino".

Ahmadinejad acrescentou que, "sob o pretexto do Holocausto, o regime sionista foi imposto ao povo palestino durante seis décadas", o que é, segundo ele, "a maior injustiça da história da humanidade".

"Não queremos guerra, não queremos conflito, não queremos ódio. O que pretendemos é resolver o problema do regime sionista, que é a origem do ódio", afirmou o presidente iraniano, após propor várias soluções para a situação dos territórios palestinos.

"Todo mundo sabe que Israel possui armas atômicas e que os EUA e o Reino Unido estão contentes com isso. O Irã colaborou com a Agência Internacional da Energia Atômica. Respeitamos as normas vigentes", disse Ahmadinejad, a respeito da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU diante da crise nuclear.

"O Conselho de Segurança é o encarregado de defender os direitos dos povos, mas os EUA e o Reino Unido transformaram a entidade em seu instrumento", acrescentou.

Sobre a viagem pela América Latina, o presidente iraniano disse que está interessado em ampliar as relações com todos os Governos e povos do mundo.

"Temos relações excelentes com a Venezuela. Com a Nicarágua tivemos relações muito amplas. O movimento progressista do povo nicaragüense foi contemporâneo da revolução iraniana, em 1979. Há, portanto, um sentimento de proximidade e amizade entre os países", ressaltou.

Retirada do link: http://br.noticias.yahoo.com/s/17012007/40/mundo-ahmadinejad-afirma-israel-tera-ousadia-atacar-ira.html.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Irã firma acordos com Venezuela e se aproxima da AL

A notícia que vou colocar abaixo tem implicações importantíssima na América Latina e no mundo. E o que é mais interessante: uma nova afronta aos interesses dos Estados Unidos e, a longo prazo, algo pode ser avaliado também em relação ao Brasil. É curioso e saudável ver que países ainda se unem para, simbolicamente, colocarem sua posição contra a ingerência estadunidense.

Irã e Venezuela terão empresa de petróleo mista

da France Presse, em Caracas

O Irã e a Venezuela pretendem criar uma empresa mista para explorar, produzir e comercializar petróleo. O empreendimento faz parte de um dos 11 acordos assinados neste sábado em Caracas, durante a visita do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, à Venezuela.Depois da assinatura dos documentos, o presidente Ahmadinejad atacou "os países poderosos" e o presidente venezuelano Hugo Chávez criticou "o imperialismo".

Os acordos entre os dois países também abarcam as áreas de turismo, comunicação e informação, agricultura e treinamento técnico.Ambos os presidentes trocaram livros e assinaram uma declaração conjunta. A Venezuela é a primeira etapa da viagem de Ahmadinejad, que inclui a Nicarágua, no domingo (14), onde se reunirá com o presidente Daniel Ortega, e o Equador, na segunda-feira (15), onde assistirá à posse de Rafael Correa.

O presidente iraniano está acompanhado nesta visita do ministro das Relações Exteriores, Manuchehr Mottaki, e pelo ministro do Trabalho, Muhamad Jahromi.É a segunda visita do presidente iraniano à Venezuela, seu maior aliado na região e sócio na Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo).

Notícia retirada do link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u103758.shtml.

Se você leu o texto e achou coisa simples, uma historinha para você. O Irã é inimigo ferrenho dos EUA, que também não tem gostado dos posicionamentos de Chávez em seu país e na América Latina, querendo estatizar empresas estadunidenses que estão em território venezuelano. E se você acha que não há implicações para o Brasil, saiba que nosso país é parceiro da Venezuela em na área energética, por exemplo, estratégica nas relações internacionais de hoje. Sem falar que essa aliança Irã-Venezuela evidencia o papel de Chávez em ampliar suas relações além-continente.

Além do quê, o presidente iraniano, Ahmadinejad, visitou a Nicaraguá, assinou por lá acordos com o recém-empossado presidente Daniel Ortega, estará presente nesta segunda-feira na posse de Rafael Correa, novo presidente do Equador, todos identificados com causas mais populares, ou esquerdistas. Ou seja: o Irã também quer aumentar sua influência na região. Já a Venezuela, se coloca como uma força atuante na América Latina, na disputa por hegemonia com o Brasil, que anda meio escondido, ainda em férias, sem mexer seus pauzinhos, sem dar as cartas para o jogo político na região.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Chávez inicia novo estágio da Revolução Venezuelana

Há dois dias, durante a posse, o presidente da Venezuela Hugo Chávez assumiu um compromisso para uma nova etapa na República Bolivariana da Venezuela numa singela frase, com três palavras emblemáticas: “Pátria, socialismo ou morte”. Acrescentando ainda “eu juro”, no discurso.

Alguns entendem ser meramente uma bravata, algo típico de um populista que impõem algumas medidas clientelistas e tem o apoio da população por dar migalhas a ela, enquanto se mantém anos e anos no poder, se beneficiando de tudo que o cargo pode oferecer. Esse é o discurso da maioria dos neoliberais braisleiros, representando, por exemplo, pelas matérias de hoje de O Estado de S. Paulo, de seu enviado especial a Caracas, Paulo Moreira Leite. No texto, a frase de Chávez é colocada como trágica. Na chamada cita que os venezuelanos ainda estão na dúvida se o socialismo que Chávez discursou seria bravata ou o começo de uma revolução propriamente dita. Faço uma pergunta: não seria um questionamento do jornal e dos investidores que estão morrendo de medo de perder o dinheiro que botaram na Venezuela e que esperavam recebê-lo em dobro?

Outros entenderam a frase do fã de Bolívar como o sinal para o próximo estágio da Revolução Bolivariana que está em curso desde a primeira eleição de Chávez, há 6 anos. E a primeira pista disso foi o anúncio, um dia antes de tomar posse da presidência pela segunda vez, de que vai estatizar empresas de telecomunicações e elétricas, aquelas que são consideradas estratégicas pelo governo venezuelano, para aumentar a renda do país e distribuir nos diversos programas sociais existentes no país desde o início do governo chavista. Outra indicação é a busca por uma reforma na Constituição para dar mais poderes à Chávez, para que ele possa governar também por decretos, para agilizar as mudanças em direção ao socialismo.

É necessário agora uma maior participação popular nos rumos decisórios do país. Pois, se o objetivo é mesmo ampliar as missiones, garantir que parcelas ainda maiores da população melhore suas condições de vida e evolua junto com o país que cresce a taxas absurdas há anos, o povo tem que estar ao lado para avalizar as mudanças e fazer com que nenhum desvio (típico de quando o poder alcança estratos inimagináveis) ocorra.

Mesmo com essa possibilidade aberta por Chávez pedir uma reforma na Constituição, as críticas ao que dizem chamar de centralismo são puramente vazias (ainda mais quando o comparam negativamente a Fidel, procurando pêlo em ovo na Revolução Cubana), quando, num pequeno texto da Folha o jornalista pega a seguinte frase do sociólogo Edgardo Lander. “A experiência histórica demonstra que a identidade entre o Estado e um partido contradiz a idéia de democracia”. Mas não é a isso que se luta na Venezuela. Principalmente a pseudo-democracia dos grandes países, que impõem a desigualdades nos menores, impedem o crescimento definitivo dos que estão em desenvolvimento e mantém a lógica de supremacia, cooptando as burguesias nacionais a aderirem aos pacotes reacionários das nações imperiais.

O que Chávez demonstra é a implantação do socialismo, tanto que já se propõe a mudança do nome do país para República Socialista da Venezuela. Isso pode ser algo banal, mas também pode ter um simbolismo inestimável – e, porque não, inefável para a elite brasileira. Não se quer dividir o poder com a elite. O povo deverá participar mais, inclusive, com a nova formatação territorial do país, acabando com as prefeituras, instalando conselhos de administração municipal, isto sim mais democrático, em que o trabalhador poderá ter voz para participar das decisões para o bem-estar de sua região. Ou seja, ao contrário do que a notícia corre por aqui, está sendo buscada uma maior autonomia dos mais pobres nos rumos da nação venezuelana. Porém, aos olhos do Estadão, em sua capa, por exemplo, isso serve para eliminar a oposição nas prefeituras e uma possível derrota – que até hoje não houve – de Chávez nas eleições municipais. Tudo depende de quem olha e não do que está sendo analisado.

Acredito que a frase do artigo do professor da PUC-SP, Hamilton Octavio Souza, num artigo para o Brasil de Fato é mais condizente com o que o ex-general planeja: “No caso do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, ele jurou trilhar na busca de um novo socialismo do século 21 e está empenhado na organização popular e na construção de um partido ideologicamente comprometido com o socialismo. Ao mesmo tempo, ele tem, de um lado, dado mostra de uma ação de solidariedade firme e inquestionável junto aos povos latino-americanos e, de outro, uma posição clara no enfrentamento das oligarquias e do imperialismo – as grandes forças responsáveis pela escravidão latino-americana”.

Ou seja, estamos vivendo um novo capítulo da Revolução Bolivariana na Venezuela, com desdobramentos impossíveis de serem averiguados por enquanto, pois a oposição pretende se mobilizar contra as medidas socialistas, os Estados Unidos já chiou quanto às suas empresas perderem seus espaços e seus investimentos, além da falta de apoio de outros países comprometidos com um mundo mais igualitário e mais justo. Não é à toa a política internacional arrojada da Venezuela, ajudando a Bolívia, Cuba e demais vizinhos latino-americanos, se propondo a parcerias com o Brasil e nações fora de nosso continente, para ver se não fica sozinha nessa briga.

O grande problema é justamente esse: se alguém decidir intervir e os venezuelanos ficarem sozinhos nessa querela, o que vai ser dessa revolução? Por enquanto, não há nada sinalizado de parte alguma, só críticas, tensão, medo, principalmente do mercado espúrio que suga dinheiro em prol de poucas empresas e executivos que prosseguem sugando o dinheiro de quem trabalha todos os dias. E, obviamente, muito menos alguma declaração do governo brasileiro, liderado por um partido de ex-sindicalistas, mas que também é ex-esquerda, ex-povo. E deixar assim, ao menos, está bom para a imprensa tradicional de nosso país, que vê assustada uma revolução socialista acontecer na barba de nosso território.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Bush anuncia mais 21 mil soldados para o Iraque

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, divulgou ontem o novo plano de ação para continuar sua degradação e destruição no Iraque. Em pronunciamento realizado à noite, ele colocou a importância de aumentar o efetivo militar estadunidense em território iraquiano, pois, só assim, segundo ele, a democracia poderá vencer naquele país.

Serão enviados mais 21 mil soldados estadunidenses para prolongar o genocídio do povo iraquiano, numa repetição do que ocorreu no Vietnã há quatro décadas, quando os Estados Unidos, em claro sinal de derrota iminente, mandaram mais soldados para tentar conter o avanço dos comunistas do Vietnã do Norte ao território sul-vietnamita. De nada adiantou. Os EUA saíram de lá e tiveram de se contentar, anos depois, com a entrada do Norte sobre o Sul no Vietnã.

A meta é lutar a todo custo contra os chamados terroristas da Al-Qaeda e sunitas que se opõem ao governo xiita imposto por Bush e seus asseclas, que dizem ter havido uma eleição, fraudulenta em vários aspectos, assim como a primeira que ascendeu Bush ao poder. O objetivo, claro na declaração de ontem, é evitar com a derrota estadunidense no Iraque, uma ascensão do Irã sobre o vizinho, que poderia se tornar aliado contra os interesses dos EUA na região, além das investidas iranianas em produzir armas nucleares.

A preocupação é estratégica e vai além do controle do petróleo, que está mais explodindo com ataques dos opositores locais do que na mão dos EUA: com o domínio de um território no Oriente Médio, os Estados Unidos tentam conter o avanço do Irã na região, além de ter um canal de acesso naquela área do mundo, com possibilidade de atingir África, Ásia e Europa muito facilmente. Isto representa uma área profundamente estratégica sob o ponto de vista militar, tanto que foi mola propulsora de guerras, inclusive da Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha fazia convênio com o Iraque para construir uma ferrovia ligando a Alemanha à Bagdá para se abastecer de petróleo mais barato.

Bush admitiu erros na sua estratégia de combate dentro do Iraque, mas não se coloca na posição de quem erra e se arrepende, ou seja, consertar o equívoco. Prefere prosseguir com ele, ao mandar mais soldados, como se isso fosse resolver o problema. Como já vimos há anos nessa invasão ao território iraquiano, o número de soldados não acalma a situação. Agora a meta é praticamente sitiar todos os pontos mais complicados, principalmente Bagdá, apontada como o grande entrave para a “democracia iraquiana”. A idéia é povoar todas as áreas perigosas e, mesmo depois de “limpá-las”, manter soldados lá para que os “matadores” não voltem aos locais.
Mas o povo e o Congresso estão se mobilizando para ir contra a medida de Bush de enviar mais 21 mil soldados. Democratas, alguns republicanos e parte da sociedade civil, mais organizada, prometem fazer manifestações e movimentos que se coloquem avessos à essa medida. Para se ter uma idéia, levantamento da AP-Ipsos, feito em dezembro, verificou que somente 27% dos estadunidenses aprovam a política de Bush para o Iraque. Outra pesquisa, feita pelo jornal Washington Post e pela rede de TV ABC, indica que 61% dos cidadãos desse país são contra o aumento dos soldados.

Clique aqui e leia o discurso de George W. Bush na íntegra

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Insatisfação mundial com a ONU

Na última parte da entrevista, o futuro embaixador braisleiro em Washington prossegue falando da Reforma nas Nações Unidas, leia-se Conselho de Segurança, com declarações mais interessantes da insatisfação de diversos países com a restrição às decisões e a declarações a poucas nações desenvolvidas, excluindo aquelas em desenvolvimento, além da demora em opor-se a conflitos e a agir em prol da paz e dos povos.

Conflitos internacionais podem acelerar reforma no Conselho de Segurança da ONU

Mylena Fiori Repórter da Agência Brasil

Brasília - As circunstâncias que podem levar à efetiva ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas são o tema do último trecho da entrevista do subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Ministério das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, à Agência Brasil. Para ele, o que está em jogo é a legitimidade do órgão responsável pela preservação da paz e da segurança mundial. Essa foi a primeira vez que ele falou à imprensa depois da confirmação de seu nome como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Agência Brasil: Nos últimos 45 anos, não foi possível qualquer reforma na ONU. As condições mudaram?
Antonio de Aguiar Patriota: O tema é interessante, está em pauta há muitos anos e existe uma certa frustração com a ausência de resultados de nossa parte e de muitos outros que gostariam de ver a reforma realizada no mais curto prazo. Mas devemos considerar, também, que a atuação de países como Brasil e Índia conseguiu evitar reformas que fossem prejudiciais aos interesses de países em desenvolvimento, isso é uma coisa muito importante. O aparente zero a zero no jogo é um resultado até certo ponto favorável, porque poderia ter sido dois a zero contra os interesses dos países em desenvolvimento.

ABR: Que tipo de retrocesso foi evitado?
Patriota: Nos anos 90, chegou-se perto de um tipo de reforma que só incorporaria novos países desenvolvidos ao núcleo de membros permanentes: Japão e Alemanha. Foi graças a uma atuação muito firme de países como Índia, Brasil, africanos e outros do mundo em desenvolvimento que se evitou esse desenlace. Antes de mais nada, a atuação brasileira é orientada pelo interesse em assegurar que a reforma do Conselho se dê em conformidade com o próprio mandato que preside o tema da reforma, e o mandato fala da necessidade de que a reforma seja eqüitativa e equilibrada em termos geográficos. Uma reforma que só incorpore países desenvolvidos ao grupo de membros permanentes não será nem eqüitativa nem equilibrada. O fato de termos evitado isso já é, em si mesmo, um resultado que não é aquele que desejaríamos, mas é importante e não negligenciável. Discute-se há muito tempo, o assunto continua em pauta, existe um interesse grande pela matéria de uma maioria da comunidade internacional e temos que ficar atentos porque, num dado momento, poderão dar-se as circunstâncias propícias - e acreditamos que elas acontecerão - para a reforma que desejamos.

ABR: Que circunstâncias são essas e do que dependem, concretamente?
Patriota: Depende de se angariar uma maioria de mais de dois terços na Assembléia Geral da ONU a uma resolução específica propondo um projeto de ampliação do Conselho.

ABR: O desfecho da invasão do Iraque pelos Estados Unidos não mobiliza forças por uma reforma na ONU?
Patriota: Eu acredito que sim e ainda diria mais. Estive presente à Cúpula dos Países Não-Alinhados, em 2006, em Havana. Havia um grupo muito representativo de chefes de Estado do Oriente Médio, da África, Ásia e América Latina. O Brasil não é membro do movimento não-alinhado, mas é observador e acompanha e foi muito interessante observar as intervenções dos chefes de Estado. Uma tônica das intervenções foi a frustração com a inoperância das Nações Unidas em relação à guerra que opôs o Hezbollah e Israel, a demora em se obter um cessar fogo [o confronto começou em meados de julho e apenas no dia 11 de agosto, após mais de mil mortes, o Conselho de Segurança aprovou uma resolução que pedia o fim dos confrontos e a retirada das tropas israelitas do Líbano, e autorizava o envio de 15 mil soldados de uma força de paz das Nações Unidas]. Essa frustração, esse sentimento de que o Conselho não funciona da maneira mais adequada, inclusive porque a representação do mundo em desenvolvimento não é adequada, é muito disseminada no mundo de hoje. Isso levou muitos países, na Cúpula do Movimento dos Não-Alinhados, a defender uma reforma do Conselho de Segurança de modo a incluir uma representação mais adequada, mais afirmativa dos países em desenvolvimento.

ABR: A ampliação do Conselho de Segurança teria representado desfechos diferentes na guerra entre Israel e Líbano e na invasão do Iraque pelos Estados Unidos?
Patriota: Poderia ter sido diferente. Mas como disse recentemente a chanceler da África do Sul, já não é aceitável que o núcleo de membros permanentes delibere sobre questões do Oriente médio e da África, que compõem o maior número de casos no Conselho de Segurança, sem uma participação mais efetiva de países dessa região, de países em desenvolvimento de uma forma geral. Acho que o Brasil tem uma contribuição muito grande a dar também neste sentido. É uma questão até mesmo de credibilidade, de legitimidade das decisões adotadas pelo órgão. O processo não seria necessariamente mais fácil. Muitas vezes se comenta que com o número maior de membros no Conselho de Segurança. talvez ele fique mais lento e isso dificulte a tomada de decisões. Não excluo a hipótese de que seja até difícil chegar a decisões num Conselho de 24 ou 25 membros, mas democracia é assim mesmo. Quando temos um país onde apenas uma pessoa toma as decisões, países sob regimes ditatoriais, as decisões são muito ágeis e rápidas. Quando a gente tem um verdadeiro processo democrático, representativo e legítimo, as decisões às vezes demoram, mas quando são adotadas, vêm com esse carimbo de legitimidade, que é muito importante.

ABR: Na sua avaliação, as Nações Unidas estão perdendo legitimidade em razão da atuação do Conselho de Segurança?
Patriota: Acho que, em alguma medida, sim. Não diria, como alguns analistas, que o Conselho de Segurança já não é mais levado a sério, que se tornou um órgão irrelevante. É interessante observar que, embora a intervenção no Iraque tenha sido levada a cabo sem autorização do Conselho de Segurança, logo em seguida os Estados Unidos, e a coalizão por eles comandada, buscou legitimação do Conselho de Segurança para todo o processo de transferência de poder para os iraquianos. De modo que o Conselho de Segurança é considerado indispensável, hoje, mesmo por aqueles que poderiam, por força de seu poderio militar, econômico etc, desconsiderar as suas decisões. Isso é uma demonstração da força do Conselho de Segurança. Em outras situações, vemos que o conselho, de fato, está enfraquecido. Houve um episódio interessante nos anos 90, em que os países da União Africana decidiram não mais observar as sanções que eram impostas à Líbia porque consideravam que elas não se justificavam mais, eram injustas. Se houvesse, por exemplo, um membro permanente africano no Conselho, acho que isso não teria acontecido. Os africanos se sentiriam mais obrigados a observar a decisão do Conselho naquela época, que era de manter as sanções contra a Líbia. [Em 1992, o Conselho de Segurança da ONU impôs sanções econômicas à Líbia por envolvimento em ataques terroristas].

Esta entrevista pode ser vista no seguinte link: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/01/07/materia.2007-01-07.9302127424/view.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Brasil e o Conselho de Segurança da ONU

Hoje coloco a segunda entrevista que prometi. Agora, o novo embaixador do Brasil em Washington, Antonio de Aguiar Patriota, fala sobre o engajamento braisleiro na reforma das Nações Unidas, especificamente quanto ao eterno desejo brasileiro de te ruma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Engraçado que eu li o texto e não vi nenhuma diferença de posicionamentos anteriores, ou seja, a meta brasileira se manterá em se ruma lidernaça na América Latina para conquistar essa possição de destaque também na ONU.

Em 2007, Brasil continuará lutando por vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU

Mylena Fiori Repórter da Agência Brasil


Brasília - Nesta parte da entrevista à Agência Brasil, a primeira depois da confirmação de seu nome como embaixador do Brasil nos Estados Unidos, o subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Ministério das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, fala sobre a reforma das Nações Unidas. Ele comenta o pleito do Brasil por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e para continuar contribuindo no processo de pacificação mundial.


Agência Brasil: No seu primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu com veemência a reforma das Nações Unidas, pleiteando uma vaga permanente no Conselho de Segurança. A reforma da ONU continuará em pauta?
Antonio de Aguiar Patriota: A reforma das Nações Unidas é um assunto que está em pauta na própria ONU. Há alguns anos, algumas instituições já estão sendo modificadas e algumas decisões estão sendo tomadas. O Conselho de Direitos Humanos foi criado no ano passado, substituindo a antiga Comissão de Direitos Humanos e dando a ela um caráter mais operacional. Foi criada a Comissão para a Construção da Paz, que também era parte da agenda da reforma. Existem outras iniciativas no campo da reforma do secretariado, existe um relatório sobre coerência do sistema, que ainda está aguardando decisão, que lida com desenvolvimento, área ambiental e área humanitária. O que se costuma dizer é que a reforma não estará completa sem a reforma do Conselho de Segurança. O artigo da revista The Economist [revista britânica que traz na edição de 5 de janeiro matéria de capa sobre a reforma das Nações Unidas] corrobora essa percepção, que é amplamente disseminada no mundo hoje. Eles dizem que se critica muito as Nações Unidas, mas há muitas coisas que as Nações Unidas fazem bem, dão alguns exemplos e sugerem que se dê a atenção que merece a questão da reforma do Conselho de Segurança, sugerindo, inclusive, que se incorpore Brasil, Japão, Índia, Alemanha [o chamado G 4], e um país africano ao grupo de membros permanentes.

ABR: A reforma da ONU, especialmente a ampliação do Conselho de Segurança, não esbarra na resistência americana ao multilateralismo?
Patriota: Eu não usaria estas palavras. Acho que os Estados Unidos estão engajados, também, com a reforma. Nem sempre a posição norte-americana coincide com a da maioria dos membros das Nações Unidas. Na própria questão da reforma do Conselho de Segurança, de fato, há um descompasso. O antigo secretário-geral Kofi Annan tinha encomendado um estudo a um grupo de pessoas eminentes, do qual participou o embaixador brasileiro [João Clemente] Baena Soares, ex-secretário-geral da OEA, e o estudo sugeria dois formatos de reforma. Os dois formatos partiam do pressuposto de que o Conselho, que hoje tem 15 membros, devia ser ampliado para 24, e os Estados Unidos defendem uma ampliação mais modesta, para 21 membros. Isso é uma posição singular, compartilhada talvez por nenhum outro país. O que nós precisamos é criar uma massa crítica, uma maioria de dois terços capaz de aprovar uma resolução na Assembléia Geral e, depois, os países-membros das Nações Unidas terão que ratificar essa decisão. Só nesse momento, então, é que há possibilidade de veto por algum dos cinco membros permanentes. Nos anos 60, quando o Conselho teve sua primeira e única reforma até hoje, quando passou de 11 para 15 membros, alguns membros permanentes votaram contra a ampliação na Assembléia Geral, mas quando chegou a hora da ratificação todos ratificaram e ela entrou em vigor. De modo que a gente não deve tomar algumas posições adotadas na abertura do processo negociador como posturas finais, intransigentes e inconciliáveis com a maioria.

ABR: De que forma o Brasil pretende atuar em defesa da ampliação do Conselho de Segurança?Patriota: O Brasil vai continuar atuando como tem atuado. Em primeiro lugar, em estreita coordenação com os parceiros do G4 e com os africanos. Também temos conversado muito no âmbito do grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul (Ibas) e temos procurado coordenar posições sobre a reforma do Conselho. Agora, por exemplo, haverá na Etiópia uma reunião ministerial da União Africana em que também será tratado esse assunto e o Brasil estará presente para acompanhar as deliberações entre os africanos. Temos um grupo grande de países que co-patrocinaram a resolução que apresentamos em 2005 e com os quais continuamos a nos coordenar de maneira prioritária. Atuamos de maneira muito intensa também com a região latino-americana em torno desse tema.

ABR: É importante que o Brasil se envolva, também, em outros processos de pacificação, como ocorreu no Haiti?
Patriota: O Brasil, historicamente, tem dado uma contribuição importante à pacificação de crises em diferentes quadrantes. Participamos desde os anos 60 de operações de paz em Suez, por exemplo. Estivemos presentes nos esforços de estabilização de Angola, de Moçambique. Estivemos presentes no Timor Leste, que é um país distante, mas muito próximo das nossas preocupações pela afinidade cultural e pela lusofonia. Sem dúvida, o Brasil continuará disposto. O Brasil tem uma vantagem comparativa muito grande porque é um país que vive em harmonia com seus vizinhos, que é fator de estabilidade regional. No interior mesmo, é um país que vive a diferença como um fator positivo da sua própria identidade. O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, quando esteve aqui há alguns anos, comentou que considerava o Brasil um exemplo de país que encarna a cultura da paz. Acho que crescentemente seremos chamados a contribuir. Os desafios às vezes serão grandes, como é no Haiti, mas acho que o fato de o Brasil ter tomado a liderança no Haiti foi uma coisa muito bem recebida na região caribenha, no hemisfério, e isso contribuiu para trazer o Haiti mais para próximo do grupo latino-americano de um modo geral e tenho confiança que este esforço não terá sido em vão.

Entrevista retirada do link: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/01/07/materia.2007-01-07.7324903866/view.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Relações internacionais entre Brasil e EUA em pauta

Para começar o ano, publico três trechos da entrevista que o futuro embaixador do Brasil em Washington, Antonio de Aguiar Patriota, para a Agência Brasil. São falas importantes, pois podem indicar o posicionamento da política externa do Brasil em relação ao continente americano, aos Estados Unidos, e demais parceiros.

Nessa primeira entrevista, por exemplo, Patriota diz que Brasil pode intermediar transição de poder em Cuba, em companhia dos Estados Unidos, além de discutir o que pode ser modificado na relação dos EUA com nosso país a respeito da mudança do COngresso estadunidense, que tem, agora, maioria democrata, em oposição ao governo republicano de Geaorge W. Bush.

Amanhã publico a segunda parte da conversa e, na quarta-feira, inserimos a parte final da conversa, com comentários meus.

País está disposto a intermediar futura transição de poder em Cuba, garante embaixador brasileiro

Mylena Fiori, Repórter da Agência Brasil


Brasília - Brasil e Estados Unidos vivem um momento de amadurecimento da relação bilateral e têm visões comuns em muitas questões da agenda internacional, na opinião do futuro embaixador brasileiro em Washington, Antonio de Aguiar Patriota. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovado pelo plenário do Senado, o subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Ministério das Relações Exteriores deve assumir a embaixada brasileira nos Estados Unidos nas próximas semanas.

Nesta entrevista à Agência Brasil, a primeira depois da aprovação de seu nome para ocupar o cargo, o diplomata fala longamente sobre o processo de reforma nas Nações Unidas e demonstra otimismo com relação à ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Patriota acredita que as conseqüências da invasão do Iraque e a “inoperância” das Nações Unidas na guerra entre Líbano e Israel vêm mobilizando forças nesta direção. Para ele, a legitimidade das decisões adotadas pelo Conselho de Segurança depende da representação de países em desenvolvimento entre os membros permanentes.

O novo embaixador do Brasil nos Estados Unidos também defende a participação crescente do país em processos de pacificação, como a missão de paz no Haiti, e revela: o Brasil está disposto a intermediar o processo de transição de poder em Cuba, junto aos Estados Unidos, quando necessário.

Neste primeiro trecho da entrevista, Antonio de Aguiar Patriota comenta a relação Brasil-Estados Unidos, prevê novidades em termos de parcerias na área de biocombustíveis e diz que é cedo para medir as conseqüências da mudança de perfil do Congresso americano, agora liderado pelos democratas.

Agência Brasil: O senhor assumirá a embaixada brasileira nos Estados Unidos nas próximas semanas. A mudança de perfil do Congresso americano, com maioria democrata, muda a relação política dos Estados Unidos com o mundo e, particularmente, com o Brasil?Antonio de Aguiar Patriota: Acho que é muito cedo para dizer. A relação entre Brasil e Estados Unidos sobre os temas da agenda internacional é muito boa, muito fluída. Isso é reflexo do bom relacionamento que os dois presidentes, Lula e Bush, estabeleceram, da excelente relação que o ministro [de Relações Exteriores] Celso Amorim mantém com a secretária de Estado Condolezza Rice e com sua homóloga na parte comercial, Susan Schwab [representante de Comércio dos Estados Unidos]. Acho que vivemos hoje um momento de amadurecimento da relação bilateral para o tratamento de questões da agenda internacional como raras vezes se viu na relação Brasil-Estados Unidos. Há pontos de convergência muitos importantes aqui nas nossas imediações, como é a situação no Haiti, em que há um reconhecimento justo, por parte do governo norte-americano, do papel construtivo da liderança brasileira no esforço de estabilização de uma nação irmã.

ABR: A relação comercial pode mudar com a maioria democrata no Congresso?
Patriota: Talvez na agenda comercial haja alguma influência. Como sabemos, os democratas já comentaram que achariam necessário introduzir cláusulas trabalhistas e ambientais nos acordos bilaterais que foram assinados entre o governo norte-americano e alguns países da região. Isso não nos afetará diretamente, mas será um tema a ser acompanhado nos próximos dias e meses.

ABR: O Brasil está pronto para intermediar uma eventual transição de poder em Cuba, se for necessário, se for iminente uma interferência direta dos Estados Unidos? Ou o Brasil prefere manter distância de assuntos bilaterais?
Patriota: Acho que não há como manter distância em relação a temas importantes da agenda internacional, ainda mais aqueles aqui da nossa redondeza. Cuba é um país próximo geograficamente e um país importante na região, com o qual nós temos relações bastante intensas hoje em dia. Considero que, possivelmente, haja um papel, sim, a ser desempenhado pelo Brasil na busca de uma transição para a democracia que seja a mais tranqüila e sem turbulências possível e tenho certeza de que o governo norte-americano terá muito interesse em ouvir as nossas ponderações e análises. É um tema que possivelmente, sim, estará entrando na nossa agenda quando a situação assim determinar.

ABR: Existe algum tema premente na relação bilateral Brasil-Estados Unidos, algo que esteja na ordem do dia?
Patriota: Um tema que desperta muito interesse dos Estados Unidos, na administração Bush, pelo qual nós também temos grande interesse, é a cooperação na área dos biocombustíveis. De modo que se pode aguardar alguma novidade nessa área.

Esta entrevista foi retirada do link: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/01/07/materia.2007-01-07.4640607689/view

De volta

Olá para quem acompanha este espaço.

Depois de merecidas férias, estou de volta, recarregado, com muita vontade de trabalhar, estudar, ler, ver coisas novas e escrever sobre o que acontece por esse nosso país e mundo.

Há alguns temas interessantes que deverei abordar, como a disputada eleição para a Câmara dos Deputados, entre Arlindo Chinaglia (PT) e Aldo Rebelo (PC do B), a corrida ministerial e o "pacotão do crescimento", assuntos que têm circulado na imprensa tradicional nos últimos tempos, já que são importantes para o andamento do segundo mandato do presidente Lula.

Em breve traremos discussões a respeito.

Por enquanto, um grande abraço e o desejo de que possamos trocar muitas idéias em 2007.

Rodrigo Herrero.