Realismo ou oportunismo?
O que é possível depreender das duas notícias postadas abaixo, referentes à negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, na Suiça, é que o Brasil, cada vez mais, rege suas relações internacionais pelo realismo das negociações, não se importando tanto com as alianças de ontem, focando, sempre, nos benefícios que vai conseguir com cada acordo.
A proposta da OMC de reduzir os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos (Estados Unidos e grande parte da União Européia), em troca de uma redução das taxas dos produtos industrializados desses países na exportação às nações em desenvolvimento, alegrou o Brasil, mas apenas o Brasil, do G-20 que o país mesmo criou, para contrapor às vontades dos países ricos.
O G-20 é composto por nações como Índia, África do Sul, Argentina, ou seja, emergentes que almejam uma paridade maior nas negociações para que posssam crescer como seus irmãos do Norte. E esse grupo foi criado para conseguir mais vantagens nas negociações da Rodada de Doha, que há sete anos segue entravada, afinal de contas, se os pobres não queerem abrir para os produtos industrializados dos países ricos, estes não querem fragilizar sua agricultura em nome de um desenvolvimento igualitário.
No entanto, o Brasil gostou da roposta de Pascal Lamy, presidente da OMC, que propõe um meio-termo nas negociações. O mais interessante é que a União Européia não achou nada bom, pois considerou que era concessão demais para pouco retorno. Enfim, ninguém é a favor da abertura de seus pontos fortes do comércio para a entrada de países oponentes, que, senão são vistos como inimigos nas relações internacionais, no campo do comércio são vistos como guerreiros ferrenhos.
E o Brasil, no meio dessa história, conseguiu desagradar a União Européia e, principalmente e mais importante, seus aliados do G-20, que o próprio país ajudou a construir, para barganhar mais vantagens para as nações do Sul. No entanto, esse tipo de atitude, realista e interessante no curto prazo, de aceitar um consenso (tão típica do sindicalista Lula ao longo dos anos de batalha na fábrica e, também, na transformação do PT rumo ao capitalismo), acaba por minar uma aliança Sul-Sul, e se mostra oportunista, por considerar um avanço temporário nas negociações com grandes potências como grande coisa para o povo brasileiro e dos demais "aliados".
Talvez o medo de um embate mais feroz no futuro tenha contribuído para esse aceite. É aquela mentalidade de operário do ABC dos anos 80 "melhor isso do que nada" que reina nas relações internacionais do governo Lula. O engraçado que isso é colocado como uma grande posição brasileira. O problema é que o Brasil só é visto como grande potência por ele mesmo. Nem os países ricos, muito menos os mais pobres, vêem e querem observar o Brasil como um gigante.
Até por isso, esse apoio à proposta da OMC parece ser uma grande furada no longo prazo das relações internacionais do governo Lula. Pode ser uma vitória temporária aprovar esse acordo que a própria UE não quer (só pra perceber como a negociação é dúbia). Entretanto, pode ser o sinal de uma grave derrota nos próximos anos, de um país isolado em seus realismos/oportunismos.
A proposta da OMC de reduzir os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos (Estados Unidos e grande parte da União Européia), em troca de uma redução das taxas dos produtos industrializados desses países na exportação às nações em desenvolvimento, alegrou o Brasil, mas apenas o Brasil, do G-20 que o país mesmo criou, para contrapor às vontades dos países ricos.
O G-20 é composto por nações como Índia, África do Sul, Argentina, ou seja, emergentes que almejam uma paridade maior nas negociações para que posssam crescer como seus irmãos do Norte. E esse grupo foi criado para conseguir mais vantagens nas negociações da Rodada de Doha, que há sete anos segue entravada, afinal de contas, se os pobres não queerem abrir para os produtos industrializados dos países ricos, estes não querem fragilizar sua agricultura em nome de um desenvolvimento igualitário.
No entanto, o Brasil gostou da roposta de Pascal Lamy, presidente da OMC, que propõe um meio-termo nas negociações. O mais interessante é que a União Européia não achou nada bom, pois considerou que era concessão demais para pouco retorno. Enfim, ninguém é a favor da abertura de seus pontos fortes do comércio para a entrada de países oponentes, que, senão são vistos como inimigos nas relações internacionais, no campo do comércio são vistos como guerreiros ferrenhos.
E o Brasil, no meio dessa história, conseguiu desagradar a União Européia e, principalmente e mais importante, seus aliados do G-20, que o próprio país ajudou a construir, para barganhar mais vantagens para as nações do Sul. No entanto, esse tipo de atitude, realista e interessante no curto prazo, de aceitar um consenso (tão típica do sindicalista Lula ao longo dos anos de batalha na fábrica e, também, na transformação do PT rumo ao capitalismo), acaba por minar uma aliança Sul-Sul, e se mostra oportunista, por considerar um avanço temporário nas negociações com grandes potências como grande coisa para o povo brasileiro e dos demais "aliados".
Talvez o medo de um embate mais feroz no futuro tenha contribuído para esse aceite. É aquela mentalidade de operário do ABC dos anos 80 "melhor isso do que nada" que reina nas relações internacionais do governo Lula. O engraçado que isso é colocado como uma grande posição brasileira. O problema é que o Brasil só é visto como grande potência por ele mesmo. Nem os países ricos, muito menos os mais pobres, vêem e querem observar o Brasil como um gigante.
Até por isso, esse apoio à proposta da OMC parece ser uma grande furada no longo prazo das relações internacionais do governo Lula. Pode ser uma vitória temporária aprovar esse acordo que a própria UE não quer (só pra perceber como a negociação é dúbia). Entretanto, pode ser o sinal de uma grave derrota nos próximos anos, de um país isolado em seus realismos/oportunismos.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home