Chávez inicia novo estágio da Revolução Venezuelana
Há dois dias, durante a posse, o presidente da Venezuela Hugo Chávez assumiu um compromisso para uma nova etapa na República Bolivariana da Venezuela numa singela frase, com três palavras emblemáticas: “Pátria, socialismo ou morte”. Acrescentando ainda “eu juro”, no discurso.
Alguns entendem ser meramente uma bravata, algo típico de um populista que impõem algumas medidas clientelistas e tem o apoio da população por dar migalhas a ela, enquanto se mantém anos e anos no poder, se beneficiando de tudo que o cargo pode oferecer. Esse é o discurso da maioria dos neoliberais braisleiros, representando, por exemplo, pelas matérias de hoje de O Estado de S. Paulo, de seu enviado especial a Caracas, Paulo Moreira Leite. No texto, a frase de Chávez é colocada como trágica. Na chamada cita que os venezuelanos ainda estão na dúvida se o socialismo que Chávez discursou seria bravata ou o começo de uma revolução propriamente dita. Faço uma pergunta: não seria um questionamento do jornal e dos investidores que estão morrendo de medo de perder o dinheiro que botaram na Venezuela e que esperavam recebê-lo em dobro?
Outros entenderam a frase do fã de Bolívar como o sinal para o próximo estágio da Revolução Bolivariana que está em curso desde a primeira eleição de Chávez, há 6 anos. E a primeira pista disso foi o anúncio, um dia antes de tomar posse da presidência pela segunda vez, de que vai estatizar empresas de telecomunicações e elétricas, aquelas que são consideradas estratégicas pelo governo venezuelano, para aumentar a renda do país e distribuir nos diversos programas sociais existentes no país desde o início do governo chavista. Outra indicação é a busca por uma reforma na Constituição para dar mais poderes à Chávez, para que ele possa governar também por decretos, para agilizar as mudanças em direção ao socialismo.
É necessário agora uma maior participação popular nos rumos decisórios do país. Pois, se o objetivo é mesmo ampliar as missiones, garantir que parcelas ainda maiores da população melhore suas condições de vida e evolua junto com o país que cresce a taxas absurdas há anos, o povo tem que estar ao lado para avalizar as mudanças e fazer com que nenhum desvio (típico de quando o poder alcança estratos inimagináveis) ocorra.
Mesmo com essa possibilidade aberta por Chávez pedir uma reforma na Constituição, as críticas ao que dizem chamar de centralismo são puramente vazias (ainda mais quando o comparam negativamente a Fidel, procurando pêlo em ovo na Revolução Cubana), quando, num pequeno texto da Folha o jornalista pega a seguinte frase do sociólogo Edgardo Lander. “A experiência histórica demonstra que a identidade entre o Estado e um partido contradiz a idéia de democracia”. Mas não é a isso que se luta na Venezuela. Principalmente a pseudo-democracia dos grandes países, que impõem a desigualdades nos menores, impedem o crescimento definitivo dos que estão em desenvolvimento e mantém a lógica de supremacia, cooptando as burguesias nacionais a aderirem aos pacotes reacionários das nações imperiais.
O que Chávez demonstra é a implantação do socialismo, tanto que já se propõe a mudança do nome do país para República Socialista da Venezuela. Isso pode ser algo banal, mas também pode ter um simbolismo inestimável – e, porque não, inefável para a elite brasileira. Não se quer dividir o poder com a elite. O povo deverá participar mais, inclusive, com a nova formatação territorial do país, acabando com as prefeituras, instalando conselhos de administração municipal, isto sim mais democrático, em que o trabalhador poderá ter voz para participar das decisões para o bem-estar de sua região. Ou seja, ao contrário do que a notícia corre por aqui, está sendo buscada uma maior autonomia dos mais pobres nos rumos da nação venezuelana. Porém, aos olhos do Estadão, em sua capa, por exemplo, isso serve para eliminar a oposição nas prefeituras e uma possível derrota – que até hoje não houve – de Chávez nas eleições municipais. Tudo depende de quem olha e não do que está sendo analisado.
Acredito que a frase do artigo do professor da PUC-SP, Hamilton Octavio Souza, num artigo para o Brasil de Fato é mais condizente com o que o ex-general planeja: “No caso do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, ele jurou trilhar na busca de um novo socialismo do século 21 e está empenhado na organização popular e na construção de um partido ideologicamente comprometido com o socialismo. Ao mesmo tempo, ele tem, de um lado, dado mostra de uma ação de solidariedade firme e inquestionável junto aos povos latino-americanos e, de outro, uma posição clara no enfrentamento das oligarquias e do imperialismo – as grandes forças responsáveis pela escravidão latino-americana”.
Ou seja, estamos vivendo um novo capítulo da Revolução Bolivariana na Venezuela, com desdobramentos impossíveis de serem averiguados por enquanto, pois a oposição pretende se mobilizar contra as medidas socialistas, os Estados Unidos já chiou quanto às suas empresas perderem seus espaços e seus investimentos, além da falta de apoio de outros países comprometidos com um mundo mais igualitário e mais justo. Não é à toa a política internacional arrojada da Venezuela, ajudando a Bolívia, Cuba e demais vizinhos latino-americanos, se propondo a parcerias com o Brasil e nações fora de nosso continente, para ver se não fica sozinha nessa briga.
O grande problema é justamente esse: se alguém decidir intervir e os venezuelanos ficarem sozinhos nessa querela, o que vai ser dessa revolução? Por enquanto, não há nada sinalizado de parte alguma, só críticas, tensão, medo, principalmente do mercado espúrio que suga dinheiro em prol de poucas empresas e executivos que prosseguem sugando o dinheiro de quem trabalha todos os dias. E, obviamente, muito menos alguma declaração do governo brasileiro, liderado por um partido de ex-sindicalistas, mas que também é ex-esquerda, ex-povo. E deixar assim, ao menos, está bom para a imprensa tradicional de nosso país, que vê assustada uma revolução socialista acontecer na barba de nosso território.
Alguns entendem ser meramente uma bravata, algo típico de um populista que impõem algumas medidas clientelistas e tem o apoio da população por dar migalhas a ela, enquanto se mantém anos e anos no poder, se beneficiando de tudo que o cargo pode oferecer. Esse é o discurso da maioria dos neoliberais braisleiros, representando, por exemplo, pelas matérias de hoje de O Estado de S. Paulo, de seu enviado especial a Caracas, Paulo Moreira Leite. No texto, a frase de Chávez é colocada como trágica. Na chamada cita que os venezuelanos ainda estão na dúvida se o socialismo que Chávez discursou seria bravata ou o começo de uma revolução propriamente dita. Faço uma pergunta: não seria um questionamento do jornal e dos investidores que estão morrendo de medo de perder o dinheiro que botaram na Venezuela e que esperavam recebê-lo em dobro?
Outros entenderam a frase do fã de Bolívar como o sinal para o próximo estágio da Revolução Bolivariana que está em curso desde a primeira eleição de Chávez, há 6 anos. E a primeira pista disso foi o anúncio, um dia antes de tomar posse da presidência pela segunda vez, de que vai estatizar empresas de telecomunicações e elétricas, aquelas que são consideradas estratégicas pelo governo venezuelano, para aumentar a renda do país e distribuir nos diversos programas sociais existentes no país desde o início do governo chavista. Outra indicação é a busca por uma reforma na Constituição para dar mais poderes à Chávez, para que ele possa governar também por decretos, para agilizar as mudanças em direção ao socialismo.
É necessário agora uma maior participação popular nos rumos decisórios do país. Pois, se o objetivo é mesmo ampliar as missiones, garantir que parcelas ainda maiores da população melhore suas condições de vida e evolua junto com o país que cresce a taxas absurdas há anos, o povo tem que estar ao lado para avalizar as mudanças e fazer com que nenhum desvio (típico de quando o poder alcança estratos inimagináveis) ocorra.
Mesmo com essa possibilidade aberta por Chávez pedir uma reforma na Constituição, as críticas ao que dizem chamar de centralismo são puramente vazias (ainda mais quando o comparam negativamente a Fidel, procurando pêlo em ovo na Revolução Cubana), quando, num pequeno texto da Folha o jornalista pega a seguinte frase do sociólogo Edgardo Lander. “A experiência histórica demonstra que a identidade entre o Estado e um partido contradiz a idéia de democracia”. Mas não é a isso que se luta na Venezuela. Principalmente a pseudo-democracia dos grandes países, que impõem a desigualdades nos menores, impedem o crescimento definitivo dos que estão em desenvolvimento e mantém a lógica de supremacia, cooptando as burguesias nacionais a aderirem aos pacotes reacionários das nações imperiais.
O que Chávez demonstra é a implantação do socialismo, tanto que já se propõe a mudança do nome do país para República Socialista da Venezuela. Isso pode ser algo banal, mas também pode ter um simbolismo inestimável – e, porque não, inefável para a elite brasileira. Não se quer dividir o poder com a elite. O povo deverá participar mais, inclusive, com a nova formatação territorial do país, acabando com as prefeituras, instalando conselhos de administração municipal, isto sim mais democrático, em que o trabalhador poderá ter voz para participar das decisões para o bem-estar de sua região. Ou seja, ao contrário do que a notícia corre por aqui, está sendo buscada uma maior autonomia dos mais pobres nos rumos da nação venezuelana. Porém, aos olhos do Estadão, em sua capa, por exemplo, isso serve para eliminar a oposição nas prefeituras e uma possível derrota – que até hoje não houve – de Chávez nas eleições municipais. Tudo depende de quem olha e não do que está sendo analisado.
Acredito que a frase do artigo do professor da PUC-SP, Hamilton Octavio Souza, num artigo para o Brasil de Fato é mais condizente com o que o ex-general planeja: “No caso do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, ele jurou trilhar na busca de um novo socialismo do século 21 e está empenhado na organização popular e na construção de um partido ideologicamente comprometido com o socialismo. Ao mesmo tempo, ele tem, de um lado, dado mostra de uma ação de solidariedade firme e inquestionável junto aos povos latino-americanos e, de outro, uma posição clara no enfrentamento das oligarquias e do imperialismo – as grandes forças responsáveis pela escravidão latino-americana”.
Ou seja, estamos vivendo um novo capítulo da Revolução Bolivariana na Venezuela, com desdobramentos impossíveis de serem averiguados por enquanto, pois a oposição pretende se mobilizar contra as medidas socialistas, os Estados Unidos já chiou quanto às suas empresas perderem seus espaços e seus investimentos, além da falta de apoio de outros países comprometidos com um mundo mais igualitário e mais justo. Não é à toa a política internacional arrojada da Venezuela, ajudando a Bolívia, Cuba e demais vizinhos latino-americanos, se propondo a parcerias com o Brasil e nações fora de nosso continente, para ver se não fica sozinha nessa briga.
O grande problema é justamente esse: se alguém decidir intervir e os venezuelanos ficarem sozinhos nessa querela, o que vai ser dessa revolução? Por enquanto, não há nada sinalizado de parte alguma, só críticas, tensão, medo, principalmente do mercado espúrio que suga dinheiro em prol de poucas empresas e executivos que prosseguem sugando o dinheiro de quem trabalha todos os dias. E, obviamente, muito menos alguma declaração do governo brasileiro, liderado por um partido de ex-sindicalistas, mas que também é ex-esquerda, ex-povo. E deixar assim, ao menos, está bom para a imprensa tradicional de nosso país, que vê assustada uma revolução socialista acontecer na barba de nosso território.

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