quinta-feira, janeiro 11, 2007

Bush anuncia mais 21 mil soldados para o Iraque

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, divulgou ontem o novo plano de ação para continuar sua degradação e destruição no Iraque. Em pronunciamento realizado à noite, ele colocou a importância de aumentar o efetivo militar estadunidense em território iraquiano, pois, só assim, segundo ele, a democracia poderá vencer naquele país.

Serão enviados mais 21 mil soldados estadunidenses para prolongar o genocídio do povo iraquiano, numa repetição do que ocorreu no Vietnã há quatro décadas, quando os Estados Unidos, em claro sinal de derrota iminente, mandaram mais soldados para tentar conter o avanço dos comunistas do Vietnã do Norte ao território sul-vietnamita. De nada adiantou. Os EUA saíram de lá e tiveram de se contentar, anos depois, com a entrada do Norte sobre o Sul no Vietnã.

A meta é lutar a todo custo contra os chamados terroristas da Al-Qaeda e sunitas que se opõem ao governo xiita imposto por Bush e seus asseclas, que dizem ter havido uma eleição, fraudulenta em vários aspectos, assim como a primeira que ascendeu Bush ao poder. O objetivo, claro na declaração de ontem, é evitar com a derrota estadunidense no Iraque, uma ascensão do Irã sobre o vizinho, que poderia se tornar aliado contra os interesses dos EUA na região, além das investidas iranianas em produzir armas nucleares.

A preocupação é estratégica e vai além do controle do petróleo, que está mais explodindo com ataques dos opositores locais do que na mão dos EUA: com o domínio de um território no Oriente Médio, os Estados Unidos tentam conter o avanço do Irã na região, além de ter um canal de acesso naquela área do mundo, com possibilidade de atingir África, Ásia e Europa muito facilmente. Isto representa uma área profundamente estratégica sob o ponto de vista militar, tanto que foi mola propulsora de guerras, inclusive da Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha fazia convênio com o Iraque para construir uma ferrovia ligando a Alemanha à Bagdá para se abastecer de petróleo mais barato.

Bush admitiu erros na sua estratégia de combate dentro do Iraque, mas não se coloca na posição de quem erra e se arrepende, ou seja, consertar o equívoco. Prefere prosseguir com ele, ao mandar mais soldados, como se isso fosse resolver o problema. Como já vimos há anos nessa invasão ao território iraquiano, o número de soldados não acalma a situação. Agora a meta é praticamente sitiar todos os pontos mais complicados, principalmente Bagdá, apontada como o grande entrave para a “democracia iraquiana”. A idéia é povoar todas as áreas perigosas e, mesmo depois de “limpá-las”, manter soldados lá para que os “matadores” não voltem aos locais.
Mas o povo e o Congresso estão se mobilizando para ir contra a medida de Bush de enviar mais 21 mil soldados. Democratas, alguns republicanos e parte da sociedade civil, mais organizada, prometem fazer manifestações e movimentos que se coloquem avessos à essa medida. Para se ter uma idéia, levantamento da AP-Ipsos, feito em dezembro, verificou que somente 27% dos estadunidenses aprovam a política de Bush para o Iraque. Outra pesquisa, feita pelo jornal Washington Post e pela rede de TV ABC, indica que 61% dos cidadãos desse país são contra o aumento dos soldados.

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