Evo supera votação de 2005 e ganha força
De acordo com pesquisa de boca-de-urna, presidente da Bolívia conquista 6% a mais de votos que em sua eleição e vê revogação de dois governadores da oposição; no entanto, meia-lua permanece e também sai fortalecida do pleito
Igor Ojeda
Correspondente do Brasil de Fato em Villa Tunari (Bolívia)
O presidente boliviano, Evo Morales, saiu fortalecido do referendo revogatório realizado neste domingo (10). De acordo com pesquisa de boca-de-urna da Unitel, principal rede de televisão do país, 60,12% do eleitorado do país votou por sua permanência, uma porcentagem mais de 6% maior que a obtida nas eleições presidenciais de 2005 (53,74%).
Além disso, dois governadores da oposição, segundo as projeções, foram revogados por ampla margem. O de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, teve um rechaço de 66%, enquanto o de La Paz, José Luiz Paredes, foi repudiado por 64,28%.
Manfred era um dos principais nomes da direita boliviana e um forte aliado da demanda pelas autonomias departamentais. Após a divulgação dos resultados, ressaltou, em coletiva de imprensa, o que vinha dizendo anteriormente: que não sai do governo, pois, segundo ele, o referendo revogatório é inconstitucional, por não estar previsto na atual Constituição da Bolívia. Na ocasião, afirmou também que empreendará uma "batalha" jurídica para permanecer no cargo.
O amplo repúdio a Manfred se deveu, principalmente, à votação da área rural do departamento. Nacionalmente, o campo vem apoiando as políticas de Evo Morales, mas o caso de Cochabamba é singular, dado o apoio quase unânime a ele no Chapare, região produtora de folha de coca onde o presidente se projetou politicamente e berço do Movimiento Al Socialismo (MAS), seu partido.
Nas cidades que integram a zona, pode-se observar facilmente tal respaldo. Às vésperas do referendo, bandeiras, faixas e grafites azuis, pretos e brancos (as cores do MAS) adornavam a maior parte das casas e do comércio.
"Evo sempre nos defendeu em relação à questão da terra, as pessoas muito pobres... ele defende a classe de baixo, as pessoas sofridas", diz Edilia Torres Quiroga, que trabalha no setor de hotelaria de Villa Tunari, cidade do Chapare.
Edilia, além de votar a favor do presidente, optou pelo "não" a Manfred. "Ele faz parte do grupo de políticos antigos, que já governaram, e por culpa deles é que estamos assim. Não mudaram a Bolívia".
Alfredo Sorita, dono de um açougue no mercado municipal da cidade, diz acreditar que todos na região estão contra o governador do departamento e favoráveis a Evo, "porque ele está fazendo as mudanças. Está melhorando os colégios, construindo ginásios para as escolas. Depois do referendo, ele terá mais força, vai ser melhor para governar".
Meia-lua segue
A derrota da oposição em Cochabamba e La Paz pode representar a consolidação do "controle" do MAS sobre essas duas regiões caso ganhe as novas eleições, que apresentam grande respaldo a Evo, mas cujos governadores eram contrários a ele.
No entanto, as autoridades opositoras da chamada meia-lua (Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando) também conquistaram sua permanência por boa margem, ainda segundo a boca-de-urna.
Rubén Costas, de Santa Cruz, obteve o apoio de 69,46%; Mario Cossío, de Tarija, 57,83%; Ernesto Suárez, de Beni, 67,72%; e Leopoldo Fernández, de Pando, 57,36%. Tais resultados podem indicar que, embora o governo Evo tenha ganhado força nacionalmente, o impasse político deve permanecer.
De acordo com a pesquisa, em Potosí, o governador Mario Virreyra, do MAS, alcançou o apoio de 70,78%. Já o outro líder regional governista, Alberto Aguillar, de Oruro, corre risco de ser revogado, pois teria obtido um repúdio de 50,81%.
Os dados de Oruro podem gerar interpretações distintas. Isso porque, de acordo com a lei que convocou o referendo revogatório, aprovada pelo Senado boliviano em maio, a porcentagem necessária para revogar uma autoridade deveria superar a atingida nas eleições de 2005. No entanto, segundo a Corte Nacional Eleitoral (CNE), a revogação dos governadores se dará se o "não" representar 50% mais um dos votos válidos (a do presidente permaneceria em 53,74%).
Se o critério considerado for o do Congresso, Aguillar seria revogado (venceu, em 2005, com 40,95%). Porém, se for seguida a interpretação da CNE, é preciso esperar a conclusão da apuração, já que a vitória do "sim" ou do "não" em Oruro está dentro da margem de erro da pesquisa de boca-de-urna. Em relação às demais autoridades, os resultados estariam consolidados qualquer que seja o critério utilizado.
Fonte: Brasil de Fato
Igor Ojeda
Correspondente do Brasil de Fato em Villa Tunari (Bolívia)
O presidente boliviano, Evo Morales, saiu fortalecido do referendo revogatório realizado neste domingo (10). De acordo com pesquisa de boca-de-urna da Unitel, principal rede de televisão do país, 60,12% do eleitorado do país votou por sua permanência, uma porcentagem mais de 6% maior que a obtida nas eleições presidenciais de 2005 (53,74%).
Além disso, dois governadores da oposição, segundo as projeções, foram revogados por ampla margem. O de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, teve um rechaço de 66%, enquanto o de La Paz, José Luiz Paredes, foi repudiado por 64,28%.
Manfred era um dos principais nomes da direita boliviana e um forte aliado da demanda pelas autonomias departamentais. Após a divulgação dos resultados, ressaltou, em coletiva de imprensa, o que vinha dizendo anteriormente: que não sai do governo, pois, segundo ele, o referendo revogatório é inconstitucional, por não estar previsto na atual Constituição da Bolívia. Na ocasião, afirmou também que empreendará uma "batalha" jurídica para permanecer no cargo.
O amplo repúdio a Manfred se deveu, principalmente, à votação da área rural do departamento. Nacionalmente, o campo vem apoiando as políticas de Evo Morales, mas o caso de Cochabamba é singular, dado o apoio quase unânime a ele no Chapare, região produtora de folha de coca onde o presidente se projetou politicamente e berço do Movimiento Al Socialismo (MAS), seu partido.
Nas cidades que integram a zona, pode-se observar facilmente tal respaldo. Às vésperas do referendo, bandeiras, faixas e grafites azuis, pretos e brancos (as cores do MAS) adornavam a maior parte das casas e do comércio.
"Evo sempre nos defendeu em relação à questão da terra, as pessoas muito pobres... ele defende a classe de baixo, as pessoas sofridas", diz Edilia Torres Quiroga, que trabalha no setor de hotelaria de Villa Tunari, cidade do Chapare.
Edilia, além de votar a favor do presidente, optou pelo "não" a Manfred. "Ele faz parte do grupo de políticos antigos, que já governaram, e por culpa deles é que estamos assim. Não mudaram a Bolívia".
Alfredo Sorita, dono de um açougue no mercado municipal da cidade, diz acreditar que todos na região estão contra o governador do departamento e favoráveis a Evo, "porque ele está fazendo as mudanças. Está melhorando os colégios, construindo ginásios para as escolas. Depois do referendo, ele terá mais força, vai ser melhor para governar".
Meia-lua segue
A derrota da oposição em Cochabamba e La Paz pode representar a consolidação do "controle" do MAS sobre essas duas regiões caso ganhe as novas eleições, que apresentam grande respaldo a Evo, mas cujos governadores eram contrários a ele.
No entanto, as autoridades opositoras da chamada meia-lua (Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando) também conquistaram sua permanência por boa margem, ainda segundo a boca-de-urna.
Rubén Costas, de Santa Cruz, obteve o apoio de 69,46%; Mario Cossío, de Tarija, 57,83%; Ernesto Suárez, de Beni, 67,72%; e Leopoldo Fernández, de Pando, 57,36%. Tais resultados podem indicar que, embora o governo Evo tenha ganhado força nacionalmente, o impasse político deve permanecer.
De acordo com a pesquisa, em Potosí, o governador Mario Virreyra, do MAS, alcançou o apoio de 70,78%. Já o outro líder regional governista, Alberto Aguillar, de Oruro, corre risco de ser revogado, pois teria obtido um repúdio de 50,81%.
Os dados de Oruro podem gerar interpretações distintas. Isso porque, de acordo com a lei que convocou o referendo revogatório, aprovada pelo Senado boliviano em maio, a porcentagem necessária para revogar uma autoridade deveria superar a atingida nas eleições de 2005. No entanto, segundo a Corte Nacional Eleitoral (CNE), a revogação dos governadores se dará se o "não" representar 50% mais um dos votos válidos (a do presidente permaneceria em 53,74%).
Se o critério considerado for o do Congresso, Aguillar seria revogado (venceu, em 2005, com 40,95%). Porém, se for seguida a interpretação da CNE, é preciso esperar a conclusão da apuração, já que a vitória do "sim" ou do "não" em Oruro está dentro da margem de erro da pesquisa de boca-de-urna. Em relação às demais autoridades, os resultados estariam consolidados qualquer que seja o critério utilizado.
Fonte: Brasil de Fato

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