Jornalismo e Política

domingo, novembro 04, 2007

Carteiras vazias

Salário mínimo é uma dos grandes absurdos do Brasil

Rodrigo Herrero

O salário mínimo no Brasil é uma dos grandes absurdos existentes nesse país-continente. Trabalha-se demais para se conseguir quase nada em remuneração. Enquanto alguns empregos se paga demais, em outros, e não menos importantes, o valor destinado chega a ser vergonhoso.

Hoje o salário mínimo está em irrisórios R$ 380,00. E o mais incrível é que, em todos os anos, demoram-se meses de debates encarniçados no Congresso Nacional (e choradeira do governo federal, não importa de qual partido, para não aumentar muito e “prejudicar” a arrecadação) para estipular um aumento de 20, 30 reais em cima da gorjeta já imposta. E de cima abaixo os trabalhadores simples sofrem.

Enquanto isso, os que votaram esse aumento ridículo, aprovam acréscimos vultosos para suas próprias contas bancárias, como foi visto recentemente. Afinal de contas, a profissão é das mais vitais para a sociedade, nada melhor que gastar milhares de reais com desocupados que passam boa parte do tempo discursando e negociando votos.

Diferença absurda
A diferença entre salários é refletida no relatório Hierarquia e Desigualdade Salarial na Administração Pública Brasileira, divulgado no último dia 18 de outubro pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em que é revelada que a disparidade entre o menor e o maior salário no país é de 1.714 vezes. O estudo tem como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2006, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Por exemplo, na iniciativa privada, o maior salário verificado pelo estudo foi de R$ 120 mil, de um dirigente na Região Sudeste, onde também foi encontrado o menor, de R$ 70 mensais, recebido por um trabalhador do setor de serviços. E depois dizem que a desigualdade no Brasil está diminuindo. Precisa saber onde e em que níveis isso está ocorrendo.

O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, declarou para a Agência Brasil ser “injustificável” essa desigualdade, por conta que a diferença máxima averiguada nos países em desenvolvimento é de 20 vezes, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Ou seja, apesar dos parcos e limitados avanços da economia brasileira, ainda há muito a se fazer em prol de uma maior igualdade, em que os que ganham pouco passem a ganhar mais e aqueles que recebem horrores sejam destituídos de valores tão aviltantes e comecem a receber algo mais condizente com o que fazem.

Fonte: Portal Padre Marcelo Rossi