terça-feira, agosto 05, 2008

Honduras vai se incorporar à Alba

Para o presidente Manuel Zelaya, os planos de integração promovidos pela Venezuela são uma nova resposta a velhos problemas da América Latina e especialmente da África que não foram solucionados com as atuais estruturas

1º/08/2008

Prensa LatinaTegucigalpa (Honduras)

Alba se constitui como instrumento de intercâmbio para a região

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, assegurou que seu país se transformará em um membro pleno da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba). "Com a Alba se abrem novas oportunidades para o país, para os pobres da região", expressou o presidente na Primeira Cúpula de Ministros de Agricultura do mecanismo integrador Petrocaribe. O encontro foi realizado na quarta-feira (30), neste país.

Zelaya recordou que Honduras faz parte do acordo petroleiro e esteve como observador da iniciativa impulsionada pelo governo do presidente Hugo Chávez, surgida em resposta à proposta estadunidense de criar sob sua hegemonia a Área de Livre Comércio para as Américas (Alca), informou hoje o jornal El Heraldo. Os Estados Unidos também mantêm um Tratado de Livre Comércio (TLC) com países da América Central – acordo conhecido como Cafta, por sua sigla em inglês.

"Mantendo os esquemas tradicionais não sairemos adiante. Esta é uma boa opção, estes são projetos, este é investimento, este é o futuro da América Central e do Caribe", assinalou o governante a respeito dos benefícios do programa Petroalimentos. De acordo com o também Zelaya, os planos de integração promovidos pela Venezuela são uma nova resposta a velhos problemas em quase todos os países da América Latina e, especialmente, da África que não foram solucionados com as estruturas atuais.

Hoje, a Alba reúne quatro nações – Venezuela, Cuba, Bolívia e Nicarágua. Seu princípio é de uma proposta de integração para o continente sedimentada na complementariedade das nações. Idealizada como um contraponto aos Tratados de Livre Comércio (como a Alca), a Alba prioriza acordos nas áreas sociais, como em educação e saúde.

Um dos principais acordos entre os países da Alba é a Operação Milagre, que leva assistência oftamológica às populações sem acesso ao serviço de saúde pública. Estima-se que cerca de 1,2 milhão de latino-americanos e caribenhos já recuperaram a visão por conta da iniciativa. Venezuela, Nicarágua e Bolívia também recebem apoio de Cuba no combate ao analfabetismo. O método cubano Yo, si puedo já foi utilizado por Hugo Chávez. A Venezuela, em 1995, foi declarada país livre do analfabetismo pela Unesco. Agora a Bolívia também persegue esse mesmo objetivo e, em dois anos, o governo Evo Morales reduziu pela metade o número de analfabetos no país.

A solidariedade entre estes países também é um diferencial na proposta de integração. A Venezuela, que detém a quarta maior reserva mundial de petróleo, vende barris às nações que integram a Alba em condições mais favoráveis: prazo de 90 dias para o pagamento de 50%. Dos 50% restantes, 25% teria um prazo de 25 anos para pagar (com dois anos de carência a uma taxa de 2%) e 25% seriam colocados num fundo da Alba para créditos a pequenos projetos.

Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia negociam, agora, a constituição do Banco da Alba, uma instituição financeira supranacional que terá o objetivo de financiar projetos de desenvolvimento para os integrantes do bloco.

A Primeira Cúpula de Ministros de Agricultura da Petrocaribe concluiu com a criação de um conselho encarregado de definir a distribuição de 460 milhões de dólares contribuídos pela Venezuela para reativar os setores agrícolas dos países-membros do fórum.

Fonte: Brasil de Fato