quinta-feira, julho 13, 2006

NOTÍCIAS DO DIA - 13.07.06

Onda de ataques em São Paulo é retomada

Um mês após a primeira onda de ataques do PCC no Estado de São Paulo, com rebeliões em 82 unidades prisionais do estado e 299 ataques, morrendo mais de 100 pessoas em pouco mais de uma semana, uma nova série de violência volta, com alcance, desta feita, maior em todo o estado, com ataques não só na capital paulista, mas em várias cidades do interior.

Os alvos agora são mais civis do que da segurança pública: prédios públicos e bancos atacados, ônibus, ambulâncias, postos de gasolinas incendiados, mais de 7 mortos e vários feridos em 100 ataques em apenas dois dias – nas madrugadas de ontem e de hoje – é o saldo inicial, por enquanto. O medo ameaça paralisar novamente São Paulo. Quase não há ônibus circulando pela cidade, complicando a vida de muitos trabalhadores que não tiveram como ir até seus empregos. O rodízio de automóveis foi suspenso.

Especulações da imprensa paulistana tradicional dão conta de que a causa desses novos ataques estaria no medo de Marcola e outros líderes do PCC serem transferidos para a penitenciária federal de Catanduvas (PR), inaugurada recentemente e com status de presídio de segurança máxima, comparado aos mais sofisticados prisões dos Estados Unidos.

Claro, quem comanda os presos espalhados por todo o Estado pode achar ruim ser mandado para um local como esse, que não teria contato com ninguém e não poderia mandar na sua facção criminosa. E, com esse “achar ruim”, decidir promover uma onda de ataques contra a população para pressionar o fraquíssimo governo do estado (em minúsculo propositalmente) contra essa possibilidade. Matéria da Folha de S. Paulo de ontem revelava que a idéia da secretaria de segurança pública (também em minúsculo) era de fazer as transferências nos próximos dias. Será que vai depois da grita de Marcola e de seus soldados?

Isso o que dá vivermos em um país sem nação, sem, sem nenhuma estrutura, sem inteligência (em todos os sentidos), sem vontade de mudar as coisas, de combater e resolver os problemas. Fica aquele eterno jogo de empurra, o governo estadual – na figura moribunda do pirata Cláudio Lembo – nega ajuda da União, que aproveita para conseguir dividendos eleitorais.

Basta ver o que Lembo disse no último dia 11, conforme a Folha On Line: “Até dezembro, nós vamos ter total disciplina nos presídios. Acabou a presença das ONGs artificiais. Acabou a presença do comando do PCC nos presídios. Você pode estar certo disso. Hoje quem domina é a sociedade, com presença dos agentes e secretários de Estado.” Quer mais? Então veja essa: “Partia [ordem de dentro dos presídios]. Hoje os presídios têm disciplina. Houve um período nos presídios em que não havia disciplina e eles [presos] dominavam. Hoje não dominam mais. Está sob controle da Secretaria da Administração Penitenciária, dos agentes penitenciários e da PM.” Daria vontade de rir se não fosse brincar demais com a cara de palhaço da população paulista.

O próprio secretário de segurança pública diz que são poucos ataques e que não há nada com que se preocupar. Em dois dias (madrugadas de 12 e 13 de julho) foram mais de 100 ataques, com 7 mortos. Mas tudo isso não passa de números e é muito mais importante aparecer nas coletivas, prometer coisas e não fazer nada do que tentar solucionar algo que eles não sabem como? O problema está aí: eles não sabem. É a única explicação concebível, pois, dos primeiros ataques, há dois meses, para essa segunda onda de violência (agora mais focada em alvos civis, como ônibus, supermercados, bancos), nada mudou.

O pacote de leis não foi aprovado, os celulares não foram bloqueados nas cadeias, muitos advogados continuam ajudando o crime organizado, Marcola e cia. continuam decidindo os rumos de tudo. Não há punição, investigação, cooperação entre governos, polícias, etc., para proporcionar uma segurança mínima à população, que trabalha o dia todo e não sabe se conseguirá chegar em casa, pois vive a eterna insegurança de um não-estado que não faz, a rigor – a não ser gastar palavras – absolutamente nada para modificar a situação. Ficamos a assistir declarações hipócritas, notícias repetitivas de mortes, rebeliões, ataques, e nenhuma esperança em meio a essa fumaça escura de mentiras e falas vazias.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

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8:40 PM  

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