quinta-feira, julho 06, 2006

NOTÍCIAS DO DIA - 06.07.06

Gastos de campanha

Um dos destaques de hoje em O Estado de S. Paulo é para o início da campanha presidencial, com textos falando sobre quanto cada candidato vai gastar para tentar vencer a disputa, as novas regras do que pode e não pode fazer quanto à propaganda, entre outras coisas. Mas o título principal da página A4 do Caderno Nacional é mesmo a questão do dinheiro que cada um estimou que gastará: “Campanha dos 7 concorrentes à Presidência vai custar R$ 279 mi”.

Importante porque, segundo o jornal, é a eleição mais cara da história, superando a de 2002, que alcançou R$ 133,65 milhões, representando um aumento de 109% para 2006. Isto porque o caixa dois foi revelado recentemente e o aperto contra abusos no financiamento de campanha foi declarado em todos os cantos que aconteceria.

A coligação PT/PRB/PC do B, de Lula, estima gastar 89 milhões de reais. A de Geraldo Alckmin, com PSDB e PFL juntos, pretende gastar R$ 85 milhões. Luciano Bivar, do desconhecido PSL, espera desembolsar R$ 60 milhões, enquanto que José Maria Eymael, do PSDC, e Cristovam Buarque, do PDT, estimaram gastar R$ 20 milhões cada. A coligação PSOL/PSTU/PCB, da candidata Heloísa Helena, está em torno de 5 milhões de reais, enquanto que o PCO, do candidato Rui Pimenta, estimou um total de apenas R$ 100 mil.

Segundo o jornal, essa previsão de gastos é exigida pela Justiça Eleitoral, mas pode ser solicitado ajustes durante a campanha. O que significa dizer que os valores podem ser ainda maiores. Como disse a candidata Heloísa Helena para o Estado: “O montante de dinheiro que será disponibilizado nesta campanha pelos dois outros candidatos (Lula e Alckmin) é uma sinalização perversa do abuso do poder econômico”.

É, dona Heloísa, realmente aquele ditado faz sentido: quem pode mais chora menos. Quem tem grana para investir em comícios pesados, em material de campanha extenso, na compra de espaço em veículos de comunicação para fazer propaganda do partido, aparece mais – até por ter mais espaço no vicioso círculo da sociedade civil (des)organizada – e, conseqüentemente, tem mais possibilidade de sair na frente numa disputa eleitoral.

Não é a toa que PT e PSDB mantém a supremacia eleitoral nos últimos anos no país. Quem possui a máquina governamental que gira milhões de reais e de dividendos políticos em forma de obras, não precisa nem se esforçar tanto para conseguir o que quer, da forma que for.

Veja aqui as informações da Agência Brasil sobre cada candidato

Conheça um pouco mais sobre os candidatos acessando as biografias do site sobre eleições do UOL

Mais um candidato
Saiu na Folha On Line às 16h41 desta quinta-feira uma nota falando sobre mais uma candidatura à Presidência da República. É da cientista política Ana Maria Teixeira Rangel, pelo PRP. O prazo terminou ontem, mas a legislação eleitoral autoriza que os candidatos que não foram registrados pelo partidos possam fazê-lo até o dia 7 de julho. Leia mais a respeito clicando aqui. A história dela e do ocorrido com sua candidatura é incrível, vale a pena ler. Coisas do Brasil mesmo.


Grita funciona e Alckmin recua

Quem leu o texto “Mudou de idéia”, publicado terça-feira (5) neste blog, vai dar risada sobre o que vou escrever agora. Não é que hoje saiu uma matéria em O Estado de S. Paulo sobre o recuo de Alckmin quanto ao tema reeleição? Para quem não leu o artigo, lembro que na segunda-feira (4) Geraldo Alckmin disse durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, que não trabalharia pelo fim da reeleição, mostrando sua posição em favor desse dispositivo implantado goela abaixo por Fernando Henrique Cardoso, durante seu primeiro mandato.

Mas na reportagem de hoje, sob o título “PSDB decide votar já o fim da reeleição” (e que pode ser vista clicando aqui), Alckmin teria autorizado seus aliados a aprovarem o fim da reeleição ainda este ano, para pôr fim a grita dentro do partido, principalmente de Aécio Neves e José Serra, que abriram mão de disputar as eleições em 2006, visando 2010.

Isso porque, segundo jornais há época do acerto da candidatura de Alckmin, havia ficado acordado que Alckmin poria fim a reeleição e abriria caminho para seus “colegas” o sucederem no Planalto daqui quatro anos. De acordo com o jornal, Serra teria sido o mais irritado, desgostoso da declaração do candidato, o que teria feito o ex-prefeito de São Paulo a aumentar as pressões para acabar com a reeleição ainda este ano.

E é o que deverá acontecer. Após reunião do conselho político de Alckmin, ficou decidio que na quarta-feira que vem (12) será votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a emenda do senador Sibá Machado (PT-AC) propondo o fim da reeleição. O relator será o presidente do PSDB, senador pelo Ceará Tasso Jereissati. O único problema da emenda do petista é que ela sugere um mandato de 5 anos, o que contraria as preferências de Alckmin.

Pelo menos, na visão dos políticos tucanos, a votação dessa emenda agora, antes de começar a campanha eleitoral pra valer, evita o surgimento de divergências profundas durante a disputa, que seria ainda pior para as pretensões do partido. A aliança feita fez o ex-governador de São Paulo abrir mão de muitas coisas, inclusive, da possibilidade de um segundo mandato. Não adiantou espernear, pois, sem seus parceiros de campanha, suas chances de ganhar de Lula se reduziriam a zero. E esse é um luxo que o candidato não se pode dar.