DESTAQUE DA SEMANA – 02.07.06
PT = Lula
A confirmação de Luís Inácio Lula da Silva como candidato à presidente da República, tentando a reeleição para um segundo mandato de quatro anos, abre, definitivamente, a corrida eleitoral e, principalmente, as ofensivas do PT contra o PSDB e vice-versa, naquele clima de disputa visceral pelo voto da população.
Se Geraldo Alckmin já havia ganhado a disputa contra José Serra e Aécio Neves no PSDB, Lula vivia situação amplamente favorável, apenas aguardando o momento certo para declarar abertamente que seria candidato – e para usar até o último instante para fazer propaganda como Chefe de Estado -, pois não sofria nenhuma oposição dentro do partido. Mesmo a chamada “ala de esquerda” do partido (que de esquerda não tem nada) não contestava a tentativa de reeleição de Lula, pedindo apenas maior atenção às bandeiras históricas da legenda.
Lula é, de fato, o grande líder e condutor do PT. Apesar de toda a conversa fiada dentro das convenções e encontros, da pataquada da ala centrista, do enfraquecimento do Campo Majoritário, do morde-assopra da Democracia Socialista, quando o ex-sindicalista pega o microfone – lembrando seus tempos de operário de São Bernardo do Campo discursando para milhares de trabalhadores em meio a ditadura – todos param para ouvi-lo, aceitam, no fim das contas, as determinações que ele delibera através de suas palavras.
Lula atua como uma espécie de imã pra cima de seus militantes, que acatam boa parte do que ele fala a respeito de como o partido deve conduzir sua política, pensando única e exclusivamente no projeto de governar o Brasil, da forma como está sendo feito. Não é a toa que a aliança (mesmo que informal) com o PMDB passou goela abaixo das discussões internas do PT, que o PRB entrou na coligação com o PC do B, que o PL compõe chapa na campanha eleitoral pelo governo do Estado de São Paulo, e que compôs abertamente nas últimas eleições. Basta ler algum discurso de Lula que toda e qualquer texto do partido fica em segundo plano. Lula é o PT. É ele quem dita o que deve ser feito para que o partido alcance os objetivos que ele define.
Obviamente isso está mais forte agora. Antes ele governava com muitos aliados, compondo aquilo que ficou conhecido pela imprensa tradicional como Campo Majoritário. Isso foi construído ao longo de muitos anos e expurgos dentro do PT, algo quase semelhante ao que o PCUS fez na União Soviética durante os Julgamentos de Moscou: quem se opunha quanto ao método (isso também pode ser chamado de meio) de conduta do partido e quanto ao seu objetivo (que pode ser chamado de fim) era convidado a se retirar; limado do cenário partidário aos poucos; ou excluído simplesmente do partido.
Hoje não há muito mais o que remover. A ala que possui um projeto de administração dentro do capitalismo vingou ao longo de mais de 25 anos de consolidação do partido e o que sobrou hoje são apenas parasitas que desejam uma mudança de caminho do PT, mas que não querem perder seus postos e status, principalmente dentro da máquina governamental. É mais fácil ficar contra apenas no discurso, mas dentro do partido, do que ser coerente com o que fala e tentar uma alternativa de formulação de um projeto classista, revolucionário, ou, ao menos, em prol dos trabalhadores, coisa que não é mais tão visada por esse governo, a não ser por programas sociais que jogam o peixe na cara da pessoa e nem dizem de onde esse peixe veio.
No mais, é um grupo de pessoas que querem acreditar no PT como uma legenda que pensa nos trabalhadores, nos pobres, etc. Podem até pensar ainda, mas a práxis petista há muito abandonou esse objetivo. Por mais que a política leve em conta parcelas menos favorecidas da população, é difícil ver resultados concretos (não me venham com números de Bolsa-Família) e que projetem uma modificação realista da situação dos brasileiros que sobrevivem e não vivem.
É aquele velho papo: depois de quatro anos, tem petista ainda que acredita que Lula vai implantar aquele programa desenvolvimentista, que visa uma maior redistribuição de renda (nem se fala em expropriação de bens, faz tempo). “Vamos fazer um programa e o governo vai governar de acordo com ele. Senão é tchau e bênção”, disse, emblematicamente, a filósofa e fundadora do PT, Marilena Chauí, em matéria divulgada pelo Estado de S. Paulo no dia 21 de junho, situada na página A6 do Caderno Nacional. Ela coloca, ainda, ser compreensível o fato de Lula não ter seguido o programa no primeiro mandato, já que “ele se elegeu muito cedo, quando a luta de classes não havia definido a hegemonia da classe trabalhadora”.
Um verdadeiro sonho de alguém que está deslocado da realidade brasileira. Afinal, se o verbo haver está no passado, então quer dizer que hoje a luta de classes definiu a classe trabalhadora como hegemônica na sociedade atual? Quero saber que classe trabalhadora é essa que está organizada para manter um programa de esquerda ou mesmo esse programa meramente redistributivo do PT. E essa crítica vai também para o PSOL, que defende a participação popular como forma de segurar a onda de um governo socialista. Se estivéssemos com um grau de educação e nível cultural da classe trabalhadora elevado poderíamos pensar, mas na atual situação do povo brasileiro, impossível tal delírio.
Por tudo isso, só há espaço para a política lulista de “vamos do jeito que dá porque é o jeito que temos”. E assim o PT mostra, a cada dia que passa, que sua luta por um país mais justo morre em campanhas eleitorais, em lançamentos de pedra fundamental de obra que o governo ainda nem comprou o terreno (como os jornais noticiaram na última semana, vide matéria do mesmo dia e na mesma página no Estado), em acréscimo do número de beneficiados pelo Bolsa-Família poucos dias antes do início das restrições da Lei Eleitoral, aumento de salário polpudo para calar servidores. Assim vemos as medidas meramente oportunistas, compondo a tática de um partido que deseja apenas se manter no poder, liderado com mãos de ferro por alguém que negaceia a origem pobre que veio e compactua com os opressores de seu povo.
A confirmação de Luís Inácio Lula da Silva como candidato à presidente da República, tentando a reeleição para um segundo mandato de quatro anos, abre, definitivamente, a corrida eleitoral e, principalmente, as ofensivas do PT contra o PSDB e vice-versa, naquele clima de disputa visceral pelo voto da população.
Se Geraldo Alckmin já havia ganhado a disputa contra José Serra e Aécio Neves no PSDB, Lula vivia situação amplamente favorável, apenas aguardando o momento certo para declarar abertamente que seria candidato – e para usar até o último instante para fazer propaganda como Chefe de Estado -, pois não sofria nenhuma oposição dentro do partido. Mesmo a chamada “ala de esquerda” do partido (que de esquerda não tem nada) não contestava a tentativa de reeleição de Lula, pedindo apenas maior atenção às bandeiras históricas da legenda.
Lula é, de fato, o grande líder e condutor do PT. Apesar de toda a conversa fiada dentro das convenções e encontros, da pataquada da ala centrista, do enfraquecimento do Campo Majoritário, do morde-assopra da Democracia Socialista, quando o ex-sindicalista pega o microfone – lembrando seus tempos de operário de São Bernardo do Campo discursando para milhares de trabalhadores em meio a ditadura – todos param para ouvi-lo, aceitam, no fim das contas, as determinações que ele delibera através de suas palavras.
Lula atua como uma espécie de imã pra cima de seus militantes, que acatam boa parte do que ele fala a respeito de como o partido deve conduzir sua política, pensando única e exclusivamente no projeto de governar o Brasil, da forma como está sendo feito. Não é a toa que a aliança (mesmo que informal) com o PMDB passou goela abaixo das discussões internas do PT, que o PRB entrou na coligação com o PC do B, que o PL compõe chapa na campanha eleitoral pelo governo do Estado de São Paulo, e que compôs abertamente nas últimas eleições. Basta ler algum discurso de Lula que toda e qualquer texto do partido fica em segundo plano. Lula é o PT. É ele quem dita o que deve ser feito para que o partido alcance os objetivos que ele define.
Obviamente isso está mais forte agora. Antes ele governava com muitos aliados, compondo aquilo que ficou conhecido pela imprensa tradicional como Campo Majoritário. Isso foi construído ao longo de muitos anos e expurgos dentro do PT, algo quase semelhante ao que o PCUS fez na União Soviética durante os Julgamentos de Moscou: quem se opunha quanto ao método (isso também pode ser chamado de meio) de conduta do partido e quanto ao seu objetivo (que pode ser chamado de fim) era convidado a se retirar; limado do cenário partidário aos poucos; ou excluído simplesmente do partido.
Hoje não há muito mais o que remover. A ala que possui um projeto de administração dentro do capitalismo vingou ao longo de mais de 25 anos de consolidação do partido e o que sobrou hoje são apenas parasitas que desejam uma mudança de caminho do PT, mas que não querem perder seus postos e status, principalmente dentro da máquina governamental. É mais fácil ficar contra apenas no discurso, mas dentro do partido, do que ser coerente com o que fala e tentar uma alternativa de formulação de um projeto classista, revolucionário, ou, ao menos, em prol dos trabalhadores, coisa que não é mais tão visada por esse governo, a não ser por programas sociais que jogam o peixe na cara da pessoa e nem dizem de onde esse peixe veio.
No mais, é um grupo de pessoas que querem acreditar no PT como uma legenda que pensa nos trabalhadores, nos pobres, etc. Podem até pensar ainda, mas a práxis petista há muito abandonou esse objetivo. Por mais que a política leve em conta parcelas menos favorecidas da população, é difícil ver resultados concretos (não me venham com números de Bolsa-Família) e que projetem uma modificação realista da situação dos brasileiros que sobrevivem e não vivem.
É aquele velho papo: depois de quatro anos, tem petista ainda que acredita que Lula vai implantar aquele programa desenvolvimentista, que visa uma maior redistribuição de renda (nem se fala em expropriação de bens, faz tempo). “Vamos fazer um programa e o governo vai governar de acordo com ele. Senão é tchau e bênção”, disse, emblematicamente, a filósofa e fundadora do PT, Marilena Chauí, em matéria divulgada pelo Estado de S. Paulo no dia 21 de junho, situada na página A6 do Caderno Nacional. Ela coloca, ainda, ser compreensível o fato de Lula não ter seguido o programa no primeiro mandato, já que “ele se elegeu muito cedo, quando a luta de classes não havia definido a hegemonia da classe trabalhadora”.
Um verdadeiro sonho de alguém que está deslocado da realidade brasileira. Afinal, se o verbo haver está no passado, então quer dizer que hoje a luta de classes definiu a classe trabalhadora como hegemônica na sociedade atual? Quero saber que classe trabalhadora é essa que está organizada para manter um programa de esquerda ou mesmo esse programa meramente redistributivo do PT. E essa crítica vai também para o PSOL, que defende a participação popular como forma de segurar a onda de um governo socialista. Se estivéssemos com um grau de educação e nível cultural da classe trabalhadora elevado poderíamos pensar, mas na atual situação do povo brasileiro, impossível tal delírio.
Por tudo isso, só há espaço para a política lulista de “vamos do jeito que dá porque é o jeito que temos”. E assim o PT mostra, a cada dia que passa, que sua luta por um país mais justo morre em campanhas eleitorais, em lançamentos de pedra fundamental de obra que o governo ainda nem comprou o terreno (como os jornais noticiaram na última semana, vide matéria do mesmo dia e na mesma página no Estado), em acréscimo do número de beneficiados pelo Bolsa-Família poucos dias antes do início das restrições da Lei Eleitoral, aumento de salário polpudo para calar servidores. Assim vemos as medidas meramente oportunistas, compondo a tática de um partido que deseja apenas se manter no poder, liderado com mãos de ferro por alguém que negaceia a origem pobre que veio e compactua com os opressores de seu povo.

1 Comments:
Boa noite,
O Lula sendo, como sempre foi, o PT ele éo homem atrás da mascará de ferro que articulou toda essa robalheira q já trataram de abafar e esquecer, q virou pizza e agora campanha dos q disseram q foi e dos q disseram q não foi pq não ficou nada definido, meio bagunçado, confuso para o povo.
Tem gente passando fome q ta querendo até esse pedaço de pizza, mas eles não sabem q pizza é essa.
Acho q a Educação é o caminho, acho q daqui mais umas decadas a gente ja deve ter aprendido alguma coisa.
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