NOTÍCIAS DO DIA – 29.06.06
Defensor do agronegócio deixa o governo
A principal notícia de ontem e que movimenta os jornais toda a imprensa tradicional hoje é a demissão de Roberto Rodrigues do ministério da Agricultura. Homem forte da bancada ruralista, o latifundiário Rodrigues (isso mesmo, ele tem fazendas em São Paulo, maranhão e Piauí) era o defensor do agronegócio e garantia todas as mordomias para os agricultores brasileiros - leia-se grandes fazendeiros e agricultores. Enquanto isto, a agricultura familiar – que é a que põe comida no prato dos brasileiros – sempre foi tratada com desleixo em sua gestão.
Apesar de tudo isso, as divergências com o ministério da Fazenda, que, segundo os jornais, entravou o desenvolvimento financeiro (leia-se financiamentos para os mega-agricultores), e o período eleitoral (que “obrigaria” o ministro a participar, mesmo que indiretamente, da campanha de Lula), teriam encerrado o ciclo do ministro. Interessante que no dia de ontem, as notícias na Internet davam conta de que ele teria saído para estar perto de sua esposa que enfrentaria um problema grave de doença. Mas hoje as informações, ditas nunca se sabe por quem, atestam que a missão estaria cumprida pelo ex-ministro.
Ele era um dos poucos que ainda permanecia no cargo desde o início do mandato petista. Os demais são Luiz Fernando Furlan (Indústria e Comércio), Márcio Thomaz bastos (Justiça), Gilberto Gil (Cultura), Walfrido Mares Guia (Turismo), Celso Amorim (Relações Internacionais), Jorge Armando Félix (Gabinete de Segurança Institucional), Waldir Pires (Defesa) e Marina Silva (meio Ambiente)
E até pelo fato de Rodrigues ser o queridinho da burguesia latifundiária do país, as críticas partem de todos os lados. “Com certeza ele saiu por estar insatisfeito com o governo que não prioriza a agricultura (leia-se agronegócio)”, disse ontem para a Folha On Line o presidente da bancada ruralista na Câmara (sim, eles não se escondem mais), deputado Dilceu Sperafico (PP-PR). “Foi um pedido nosso para que ele deixasse o cargo. O ministro estava sendo desprestigiado pelo governo e não poderia manchar sua biografia”, afirmou para o mesmo veículo o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO).
Vocês devem ter reparado a falta de uma posição de deputados da base governista, mas a falta de critério jornalístico não é minha e sim do jornalista que não foi atrás do famoso outro lado do jornalismo. Isso é normal, os ataques continuaram desta maneira. O referido veículo entrevistou te o candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin (mais anti-objetivo impossível, não acham?), que creditou a saída de Rodrigues à falta de apoio de Lula. Depois aparece a líder do governo no Senado, Ideli Salvati (PT-SC) para dizer que não há problema na saída do ministro.
Mas a pancadaria e a defesa aberta do agronegócio (que é um negócio para poucos) prosseguem: “Ele (Rodrigues) é um homem preparado, que entende do agronegócio e se dispõe ao diálogo”, disse o presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), Sebastião Costa Guedes. Na Agência Brasil, órgão do governo, o líder da minoria no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR) ataca o governo Lula: “Ele (Rodrigues) teve paciência ilimitada, esperou demais. A insensibilidade do governo federal com relação à agricultura queimou uma liderança do setor. A política agrícola, hoje, não é decidida no Ministério da Agricultura, mas no Ministério da Fazenda”.
Ainda na Agência Brasil, há um político com discurso menos radical: “Foi uma substituição fora de hora. Nós (bancada ruralista) achávamos que ele deveria ficar até dezembro fazendo o bom trabalho que tem feito. Mas a saída dele não vai afetar a agricultura”, avaliou o vice-líder do PTB, deputado Nelson Marquezeli (PTB-SP).
Percebe-se que o governo deve perder apoio da bancada ruralista, aumentando seus problemas com relação a esse setor. Se os trabalhadores rurais e os pequenos agricultores já não gostavam do tratamento dado pelo Ministério da Agricultura, agora, somam-se a eles (mas com pensamento oposto) os latifundiários defensores do agronegócio, que querem outro homem de perfil semelhante para manter o trabalho atual, ou seja, mais do mesmo.
Os ataques vão crescer e as pressões para que as benesses aumentam nessa pasta serão ainda mais assustadoras, prejudicando qualquer tipo de mobilização do povo, que, novamente, ficará de lado nessa questão. Pois, obviamente, Lula vai tentar minimizar o problema dos ruralistas, indicando um nome de seu gosto e aplicando a política cada vez mais voltada para esses interesses, se preocupando pouco com os pequenos agricultores, como é praxe nesse governo que se diz até hoje dos trabalhadores.
Quanto a Roberto Rodrigues, já vai tarde. Pena que nada vai mudar com sua saída e que ela não se deu pela péssima performance dele na pasta. Certamente, analiso não pelo lado dos latifundiários que o acham um deus, mas sim pela população que espera há décadas por um pedaço de terra que a reforma agrária desse país nunca saiu do papel.
Verba joga dos cofres públicos
Em dia de demissão de ministro, vale destacar a reportagem de O Estado de S. Paulo na página A4, Caderno Nacional: “Em ano eleitoral, Lula aumenta verba para investimento em 27%”. O texto trata do maior gasto com obras publicas no ano eleitoral e se baseia nos dados divulgados ontem pela ONG Contas Abertas, a partir das informações do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).
De acordo com a matéria, o governo federal já reservou R$ 5,3 bilhões do orçamento deste ano para investimentos, o que representa 27% a mais, em termos reais, em comparação aos valores direcionados para investimento no primeiro semestre de 2005. na checagem feita pelo jornal com o mesmo período do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (os seis primeiros meses de 2002), o acréscimo é de 29%.
O texto avisa que quem se beneficia, na verdade, com essas verbas são os governadores e prefeitos, que podem deitar campanha em cima das futuras obras, além dos parlamentares responsáveis pela emenda ao orçamento. Isso porque, o repasse efetivo desse dinheiro, segundo a Lei Eleitoral, só será feito às obras que tiverem sido começadas até o próximo dia 30, ou seja, amanhã.
Para isso, as prefeituras precisam preparar as licitações. Acontece que muitas dessas licitações podem ter sido adiantadas, segundo o Estado, prevenindo quanto ao orçamento que foi aprovado apenas no fim de abril. Exemplo disso é o Ministério das Cidades que já vinha analisando projetos e reservou até agora R$ 1,55 bilhão, o maior volume de verba para investir até o momento. Ou seja, a corrida para a liberação de recursos é gigantesca até amanhã, para conseguir aprovar o maior número de obras e, com isso, conseguir votos até as eleições.
Apesar de toda essa tentativa, muitas das obras só terão início no começo de 2007, obviamente, pela data limite de execução dessas obras já ter estourado praticamente. Isso representa um sério problema: os projetos aprovados são claramente de cunho eleitoreiro. Nada de anormal num país que faz dessa prática algo corriqueiro, admitido por muitos políticos. Ainda mais no caso do PT, que aderiu a essa práxis partidária, muito peculiar no Brasil, há muito tempo. Só não vê quem não quer.
O problema fica para as pessoas a quem as obras são destinadas. Elas recebem promessas, notícias de que algo será feito em prol de sua comunidade, manchetes saem em jornais locais e... pára por aí. Logo se aproxima o período eleitoral e as máquinas param, as desculpas quanto às eleições chegam, 2007 chega e nada é concluído. O problema persiste ou a melhoria não é feita e o próximo governante, ou até o mesmo parlamentar, vai ao lugar para dizer que dessa vez a obra será terminada. E assim caminha a política brasileira, feita mais na base de enganações do que de cumprimento de promessas.
Obs.: Por problemas de saúde, excepcionalmente ontem não foi possível atualizar este blog. Desculpem-me pela falha.
A principal notícia de ontem e que movimenta os jornais toda a imprensa tradicional hoje é a demissão de Roberto Rodrigues do ministério da Agricultura. Homem forte da bancada ruralista, o latifundiário Rodrigues (isso mesmo, ele tem fazendas em São Paulo, maranhão e Piauí) era o defensor do agronegócio e garantia todas as mordomias para os agricultores brasileiros - leia-se grandes fazendeiros e agricultores. Enquanto isto, a agricultura familiar – que é a que põe comida no prato dos brasileiros – sempre foi tratada com desleixo em sua gestão.
Apesar de tudo isso, as divergências com o ministério da Fazenda, que, segundo os jornais, entravou o desenvolvimento financeiro (leia-se financiamentos para os mega-agricultores), e o período eleitoral (que “obrigaria” o ministro a participar, mesmo que indiretamente, da campanha de Lula), teriam encerrado o ciclo do ministro. Interessante que no dia de ontem, as notícias na Internet davam conta de que ele teria saído para estar perto de sua esposa que enfrentaria um problema grave de doença. Mas hoje as informações, ditas nunca se sabe por quem, atestam que a missão estaria cumprida pelo ex-ministro.
Ele era um dos poucos que ainda permanecia no cargo desde o início do mandato petista. Os demais são Luiz Fernando Furlan (Indústria e Comércio), Márcio Thomaz bastos (Justiça), Gilberto Gil (Cultura), Walfrido Mares Guia (Turismo), Celso Amorim (Relações Internacionais), Jorge Armando Félix (Gabinete de Segurança Institucional), Waldir Pires (Defesa) e Marina Silva (meio Ambiente)
E até pelo fato de Rodrigues ser o queridinho da burguesia latifundiária do país, as críticas partem de todos os lados. “Com certeza ele saiu por estar insatisfeito com o governo que não prioriza a agricultura (leia-se agronegócio)”, disse ontem para a Folha On Line o presidente da bancada ruralista na Câmara (sim, eles não se escondem mais), deputado Dilceu Sperafico (PP-PR). “Foi um pedido nosso para que ele deixasse o cargo. O ministro estava sendo desprestigiado pelo governo e não poderia manchar sua biografia”, afirmou para o mesmo veículo o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO).
Vocês devem ter reparado a falta de uma posição de deputados da base governista, mas a falta de critério jornalístico não é minha e sim do jornalista que não foi atrás do famoso outro lado do jornalismo. Isso é normal, os ataques continuaram desta maneira. O referido veículo entrevistou te o candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin (mais anti-objetivo impossível, não acham?), que creditou a saída de Rodrigues à falta de apoio de Lula. Depois aparece a líder do governo no Senado, Ideli Salvati (PT-SC) para dizer que não há problema na saída do ministro.
Mas a pancadaria e a defesa aberta do agronegócio (que é um negócio para poucos) prosseguem: “Ele (Rodrigues) é um homem preparado, que entende do agronegócio e se dispõe ao diálogo”, disse o presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), Sebastião Costa Guedes. Na Agência Brasil, órgão do governo, o líder da minoria no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR) ataca o governo Lula: “Ele (Rodrigues) teve paciência ilimitada, esperou demais. A insensibilidade do governo federal com relação à agricultura queimou uma liderança do setor. A política agrícola, hoje, não é decidida no Ministério da Agricultura, mas no Ministério da Fazenda”.
Ainda na Agência Brasil, há um político com discurso menos radical: “Foi uma substituição fora de hora. Nós (bancada ruralista) achávamos que ele deveria ficar até dezembro fazendo o bom trabalho que tem feito. Mas a saída dele não vai afetar a agricultura”, avaliou o vice-líder do PTB, deputado Nelson Marquezeli (PTB-SP).
Percebe-se que o governo deve perder apoio da bancada ruralista, aumentando seus problemas com relação a esse setor. Se os trabalhadores rurais e os pequenos agricultores já não gostavam do tratamento dado pelo Ministério da Agricultura, agora, somam-se a eles (mas com pensamento oposto) os latifundiários defensores do agronegócio, que querem outro homem de perfil semelhante para manter o trabalho atual, ou seja, mais do mesmo.
Os ataques vão crescer e as pressões para que as benesses aumentam nessa pasta serão ainda mais assustadoras, prejudicando qualquer tipo de mobilização do povo, que, novamente, ficará de lado nessa questão. Pois, obviamente, Lula vai tentar minimizar o problema dos ruralistas, indicando um nome de seu gosto e aplicando a política cada vez mais voltada para esses interesses, se preocupando pouco com os pequenos agricultores, como é praxe nesse governo que se diz até hoje dos trabalhadores.
Quanto a Roberto Rodrigues, já vai tarde. Pena que nada vai mudar com sua saída e que ela não se deu pela péssima performance dele na pasta. Certamente, analiso não pelo lado dos latifundiários que o acham um deus, mas sim pela população que espera há décadas por um pedaço de terra que a reforma agrária desse país nunca saiu do papel.
Verba joga dos cofres públicos
Em dia de demissão de ministro, vale destacar a reportagem de O Estado de S. Paulo na página A4, Caderno Nacional: “Em ano eleitoral, Lula aumenta verba para investimento em 27%”. O texto trata do maior gasto com obras publicas no ano eleitoral e se baseia nos dados divulgados ontem pela ONG Contas Abertas, a partir das informações do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).
De acordo com a matéria, o governo federal já reservou R$ 5,3 bilhões do orçamento deste ano para investimentos, o que representa 27% a mais, em termos reais, em comparação aos valores direcionados para investimento no primeiro semestre de 2005. na checagem feita pelo jornal com o mesmo período do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (os seis primeiros meses de 2002), o acréscimo é de 29%.
O texto avisa que quem se beneficia, na verdade, com essas verbas são os governadores e prefeitos, que podem deitar campanha em cima das futuras obras, além dos parlamentares responsáveis pela emenda ao orçamento. Isso porque, o repasse efetivo desse dinheiro, segundo a Lei Eleitoral, só será feito às obras que tiverem sido começadas até o próximo dia 30, ou seja, amanhã.
Para isso, as prefeituras precisam preparar as licitações. Acontece que muitas dessas licitações podem ter sido adiantadas, segundo o Estado, prevenindo quanto ao orçamento que foi aprovado apenas no fim de abril. Exemplo disso é o Ministério das Cidades que já vinha analisando projetos e reservou até agora R$ 1,55 bilhão, o maior volume de verba para investir até o momento. Ou seja, a corrida para a liberação de recursos é gigantesca até amanhã, para conseguir aprovar o maior número de obras e, com isso, conseguir votos até as eleições.
Apesar de toda essa tentativa, muitas das obras só terão início no começo de 2007, obviamente, pela data limite de execução dessas obras já ter estourado praticamente. Isso representa um sério problema: os projetos aprovados são claramente de cunho eleitoreiro. Nada de anormal num país que faz dessa prática algo corriqueiro, admitido por muitos políticos. Ainda mais no caso do PT, que aderiu a essa práxis partidária, muito peculiar no Brasil, há muito tempo. Só não vê quem não quer.
O problema fica para as pessoas a quem as obras são destinadas. Elas recebem promessas, notícias de que algo será feito em prol de sua comunidade, manchetes saem em jornais locais e... pára por aí. Logo se aproxima o período eleitoral e as máquinas param, as desculpas quanto às eleições chegam, 2007 chega e nada é concluído. O problema persiste ou a melhoria não é feita e o próximo governante, ou até o mesmo parlamentar, vai ao lugar para dizer que dessa vez a obra será terminada. E assim caminha a política brasileira, feita mais na base de enganações do que de cumprimento de promessas.
Obs.: Por problemas de saúde, excepcionalmente ontem não foi possível atualizar este blog. Desculpem-me pela falha.

1 Comments:
Valeu cara! Divulga pro pessoal, pois é importante que todos acessem isto, tanto pras pessoas se informarem como apra eu conseguir melhorar o nível do material produzido.
É, é complicado mesmo, pois os interesses burgueses sempre ficam na frente dos dos trabalhadores. E não foi o Lula e seu partido que sinalizaram alguma mudança nessa situação, basta ver os presos políticos do MLST. Trabalhadores presos tratados como bandidos. Podem até ter cometido um erro no excesso durante a invasão do Parlamento, mesmo assim, aproveitaram a situação para ferrar com o movimento rural.
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