quarta-feira, julho 05, 2006

NOTÍCIAS DO DIA 05.07.06

Coréia do Norte “preocupa” mundo

A tentativa de lançamento do míssil Taepodong-2 pela Coréia do Norte preocupou os governos do mundo inteiro e foi notícia também n'O Estado de São Paulo, na página A13, do Caderno Internacional. Foi considerada pelos Estados Unidos como uma provocação, colocando em alerta o fato da Coréia do Norte manter um programa de armas nucleares ativo e sem o controle dos EUA.

Sob o título “Coréia do Norte testa mísseis”, o texto fala sobre o lançamento deste míssil, capaz de alcançar 6.700 quilômetros, o que representa a possibilidade de atingir até a costa oeste estadunidense e até a ponta ocidental da Europa, além de outros cinco de menor porte e alcance. O Taepedong-2 falhou 40 segundos após ser lançado, caindo no oceano, e os demais caíram no Mar do Japão, a cerca de 500 quilômetros da costa oeste da ilha japonesa de Hokkaido.

Apesar do teste não ser uma surpresa, pois já se tinham informações de satélite do abastecimento de um míssil, a Coréia do Sul, por exemplo, aumentou seu nível de alerta e exigiu que seu vizinho volte a debate com os demais países o seu programa nuclear. Os EUA e o Japão fizeram um acordo para desenvolver um escudo antimísseis, além de Tóquio receber em seu território os mísseis interceptadores Patriot. Os EUA, ainda, colocaram em operação seu sistema de defesa antimíssil na região do Pacífico.

Essas atitudes revelam o medo de que as grandes potências possuem de um país que não. Tanto que o presidente estadunidense, George W. Bush, disse que a falha do míssil não reduz a necessidade de impedir o programa nuclear norte-coreano, como informa o texto “Falha em míssil não diminui ameaça nuclear norte-coreana, diz Bush”, da Folha On Line. "Uma coisa que constatamos é que o míssil não voou por muito tempo", afirmou Bush sobre o míssil Taepodong-2. "Mas isso não diminui nosso desejo de resolver o problema", completou, segundo o referido site.

É comum o fato das grandes potências (além das já citadas, Rússia e China, esta última, aliada à Coréia do Norte) temerem um país que deseja desenvolver por conta própria seu programa nuclear, pois elas consideram esse poderio perigoso nas “mãos erradas”, preferindo obter o monopólio da tecnologia e armazenamento, interferindo, sob a liderança dos EUA, em qualquer Estado que queira desenvolver algo que possa ser relacionado à energia ou armas nucleares.

Claro que uma brecha dessas pode liberar a fabricação e uso de armas nucleares por qualquer país. Mas, afinal de contas, Paquistão e Índia possuem as tais armas e por que elas não são incomodadas? Óbvio: elas são mais aliadas do que inimigas dos EUA – o Paquistão foi fundamental para a campanha de Bush no Afeganistão, anos atrás e a Índia se aproxima cada vez mais do Ocidente. Como se vê, a questão do interesse é mais observada do que uma preocupação com a “paz mundial”. Se a Coréia do Norte fosse “amiguinha” das potências do Ocidente, não haveria problema deles desenvolverem algo.


Jornalismo ou Publicidade?

Quem puder, vale a pena dar uma olhada nas páginas A10 e A11 do Caderno Nacional da edição de hoje d’O Estado de S. Paulo. É aquela parte do meio do jornal, em que as duas páginas se juntam, proporcionando um prazer inenarrável aqueles que lêem jornal e gostam de abri-lo aos quatro ventos, mostrando a todos ser uma pessoa culta e informada sobre o que acontece no dia-a-dia.

O problema é que fica difícil se informar com o modo como as matérias foram dispostas nas páginas. Isso porque, uma propaganda de um navio cruzeiro toma boa parte da folha. Mas não é aquela coisa de meia página pra baixo ou de toda a página, sobrando espaço apenas para o título, caso costumeiro e específico da capa do Caderno 2 (de cultura) do Estado.

Não, é pior. São quatro propagandas que descem em diagonal da esquerda superior para a direita inferior. Para entender melhor, dividamos as duas páginas em quatro colunas. Na primeira coluna, no alto, está a primeira propaganda do navio, falando das festas que o cruzeiro proporciona. Abaixo tem um texto sobre o debate do Estatuto de Igualdade racial, que tem causado muita polêmica na sociedade civil organizada. Mais abaixo notas informativas do que acontece pelo Brasil.

Na segunda coluna está o início de um texto sobre o fato do governo federal investir mais do que divulga. Abaixo da parte do texto da coluna 2 mais propaganda, agora mostrando uma foto de pessoas meditando no navio. Abaixo, a continuação da matéria sobre o Estatuto e, na área inferior, mais notas pelo Brasil.

Na parte superior da coluna 3 está o resto do texto sobre o governo. Abaixo deste, outra nota descendo o sarrafo no governo. No terceiro quadrado da coluna 3 a propaganda do cruzeiro tem uma foto num restaurante, falando sobre as opções de gastronomia oferecidas pelo navio. No fim da coluna, outra nota, abordando o pedido de processo do Ministério Público contra o ex-prefeito Celso Pitta.

Na última coluna, os dois primeiros quadrados possuem infográficos comparando em números as gestões de Lula e FHC. Abaixo há uma pequena nota sobre uma universidade no ABC que não saiu do papel. E, pra terminar, lógico, mais uma propaganda do cruzeiro, agora com mulheres novas, belas, pedalando bicicletas ergométricas, aludindo que no navio a pessoa pode ficar sempre em forma.

Eu sei que é um tanto confuso entender como isso está disposto nas páginas. Por isso, simulei uma tabelinha aqui (já que o Blogger não aceita tabela do Word), só para vocês perceberam como a coisa é esquisita. Vejam:


Publicidade--- Texto Governo -- Texto Governo -- Infográfico
Texto Estatuto-- Publicidade --- Nota Convênios -- Infográfico
Texto Estatuto-- Texto Estatuto ---Publicidade --- Nota Univ.
Pelo Brasil ------ Pelo Brasil ------- Nota Pitta ------- Publicidade


É o fim da picada um jornal se submeter a uma coisa dessas, não acham? A informação foi praticamente mutilada, esfarelada, jogada em segundo plano no meio de tanta propaganda, foto, cores. Afinal, é um pecado pensar em problemas vendo coisas tão relaxantes, não é mesmo?

A pessoa vai se sentir mais atraída pela propaganda, vai começar a se imaginar dentro de um navio num cruzeiro por um mês, longe de problemas, de família, filhos, trabalho, contas, sem notícias de corrupção e desvio. Dá até vontade de desistir de ler o jornal,s e é que a pessoa não o amassa, joga fora e decide, naquele instante, pedir férias e viajar para um canto escondido no mapa.

Brincadeiras à parte, situações como esta revelam a dependência total dos jornais aos ditames da publicidade, abrindo mão de sua função principal, a informação de forma acurada, literal, principal, para manter a máquina da redação funcionando, seja de qual forma for. Mesmo nesse estado (trocadilho à parte, mas natural e necessário), o interessante para essas imprensas e se manter, mesmo que às custas do bom e independente jornalismo.