segunda-feira, julho 03, 2006

ARTIGO DA SEMANA - 03.07.06

O artigo de hoje é, na verdade, uma reportagem-denúncia que fiz com meu amigo de profissão, Daniel Reis, a respeito de uma praça abandonada pelo entulho e pelo lixo. Infelizmente, não conseguimos publicá-la em nenhum jornal de São Paulo - realmente, eles preferem ficar sem a matéria a se submeterem a jovens jornalistas. Mas acho importante trazer esse texto, pois ele revela, de uma forma geral, como os governantes tratam da coisa pública.

Praça é lixão a céu aberto

Pneu queimado, animais mortos e entulho incomodam população da Zona Leste


por Daniel Reis e Rodrigo Herrero

Devastação e abandono são palavras para descrever a atual condição que se encontra a Praça Almíscar, situada no bairro Jardim Casa Pintada – Zona Leste de São Paulo. O terreno de 13 mil metros quadrados, definido como praça, é depósito de restos de material de construção, pedaços de móveis, ferros, lixo doméstico. O cheiro de pneu queimado e o aparente lixão aberto contrasta com uma região cercada por escolas, creches, condomínios residenciais e um fórum judicial. A não existência da praça proporciona a Subprefeitura de São Miguel Paulista (responsável pelos distritos de São Miguel, Jardim Helena e Vila Jacuí) um gasto de R$ 30 mil mensais para a coleta do entulho.

“É um verdadeiro lixão aquilo ali. Vem caminhão da prefeitura só de vez enquando para recolher o lixo, mas não adianta nada, porque logo enchem aquilo de novo e queimam tudo. E é caminhão que vem de longe”, reclama a professora Viviane Lopes, 31, moradora do condomínio Pateo Ibérico, que fica em frente à praça. Até uma feira livre que existia do lado do terreno teve que ser colocada no final da rua por causa do mau cheiro. Há um caminho no meio do lixo por onde pessoas passam. “Jogam cachorro e gato morto, até cavalo chegaram a jogar uma vez. Tem rato e barata para todos os lados”, completa o advogado Sandro Jordão, 31 conselheiro do condomínio.

Outra preocupação é quanto à fumaça do material queimado que entra nas casas e, principalmente, na escola. Segundo informação dos moradores, é comum a queima de pneus todos os dias, por volta das 18 horas. Isso acaba por afetar os estudantes do período noturno da Escola Estadual Professor Tito Lívio. “As salas são sem ventilação por causa das janelas pequenas, e a fumaça que entra faz os alunos passarem mal”, denuncia a diretora da escola, Maria José dos Santos Pinto, 41.

De acordo com o subprefeito de São Miguel Paulista, Décio Ventura, 44, há um projeto em processo de finalização e seu orçamento se aproxima de R$ 390 mil. Neste, o campo de futebol de terra batida, construído pela própria comunidade será mantido, e a novidade será um espaço para caminhada e plantação de grama. “Estamos tentando alocar recursos para a construção de uma pista de skate. São recursos na ordem de R$ 50 mil”, diz Ventura. O documento deverá ser apresentado para a avaliação da Secretaria de Infraestrutura Urbana (SIURB) e Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras (SMSP) ainda em maio. Após a aprovação, o prazo de execução será de 90 a 120 dias, como informa a arquiteta responsável pela planta, Rosemar Nobre de Oliveira, 47.

A Diretoria de Ensino Leste 01, representado pela Escola Estadual Professor Tito Lívio, concebeu um projeto no final de 2005, que previa, além do que consta no projeto da subprefeitura, a construção de mesas de concreto para jogos, quadra de society, bancos, anfiteatro a céu aberto, com arquibancadas de alvenaria. “Esse projeto foi entregue no começo do ano para a subprefeitura, mas não obtivemos retorno. Eu estou lutando aqui na escola desde 2002 e até hoje não vi mudança nenhuma”, acredita a diretora Maria José.

Havia mais um projeto pertencente a gestão anterior. Porém, mesmo sem uma consulta dos valores de ambas as propostas, o orçamento foi apontado como “muito alto”. “Nós não fizemos um reorçamento desse projeto, por que o custo disso [do projeto antigo] de cara se vê que é bem maior”, argumenta o subprefeito.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

A calçada em frente a uma escola perto da minha casa tb está pessima, nunca vi igual, coitada das crianças.

Acho essas obras muito caras, um multirão resolveria alguns problemas por 1/10 do custo e bem feito, claro q deveria ser acompanhado por uma engenheiro ou alguém do ramo e acho até q o povo quer ajudar qdo é para seu bairro, sua comunidade ainda q a responsabilidade seja do governo e a gente quem paga essa conta.

7:40 PM  

Postar um comentário

<< Home