sexta-feira, julho 21, 2006

DICA CULTURAL - 21.07.06

Dossiê 50 retrata ao sofrimento dos jogadores brasileiros na derrota de 1950

São 34 minutos do segundo tempo do dia 16 de julho de 1950 e o Brasil empata com o Uruguai em 1x1, pela final da Copa do Mundo de futebol. O resultado garante o primeiro título mundial à seleção brasileira, dentro de um Maracanã lotado por cerca de 200 mil torcedores. Mas o imponderável estaria para ocorrer. O ponta-direita Ghiggia avança como um bólido até a linha de fundo. Não há cobertura, nenhum zagueiro se aproxima a tempo para dar combate. Na entrada da pequena área o atacante uruguaio chuta. A bola passa entre a trave esquerda e o goleiro Barbosa: 2x1 para o Uruguai, campeão mundial de futebol.

Esse dia ficou conhecido como aquele em que o Brasil ficou adulto “sem querer”. Expressão essa cunhada pelo escritor Carlos Heitor Cony e está no livro Dossiê 50: os onze jogadores revelam os segredos da maior tragédia do futebol brasileiro (Editora Objetiva), feito por Geneton Moraes Neto, lançado em 2000, para relembrar aquela fatídica data.

A frase de Cony retrata bem como a derrota foi encarada na época. Só quem esteve lá pôde sentir a dura e amarga dor do fracasso. O Maracanã emudeceu, num silêncio mencionado por todos como algo grandioso, numa desconsolação geral diante do improvável. Mas ao ler a obra é possível sentir nas palavras a tristeza e a melancolia daqueles onze “anti-heróis” que vivem até hoje com o peso do vice-campeonato em um país onde isso costuma não valer nada.

Como foi possível perder o título em casa, com toda a torcida a favor? Ainda mais um time como o do Brasil, repleto de craques, que dava aula de futebol nas partidas da Copa. O escrete que entrou em campo no último jogo foi: Barbosa no gol, Augusto e Juvenal na defesa, Bauer, Danilo e Bigode no meio e, na frente, Friaça, Zizinho, Ademir Menezes, Jair Rosa Pinto e Chico, comandados pelo técnico Flávio Costa.

O Brasil era uma máquina da bola. Na estréia venceu de 4x0 do México, depois empatou no Pacaembu por 2x2 com a Suíça, no único jogo realizado fora do Maracanã, mas se recuperou e passou pela Iugoslávia por 2x0. Na fase final, disputada em um quadrangular, o Brasil passou como um trator por cima da Suécia (7x1) e da Espanha (6x1), o que tornava necessário apenas um empate na finalíssima contra os uruguaios.

Porquê?
Para tentar entender o que aconteceu naquele 16 de julho, comparado pelo escritor Nelson Rodrigues a bomba atômica de Hiroshima, Geneton Neto entrevistou os onze brasileiros titulares daquela tarde de domingo, além do treinador. Foram diversas as hipóteses levantadas: mudança do local da concentração dois dias antes da final, visita de políticos na concentração até no dia do jogo, excesso de confiança, falta de medo, a lenda do ônibus quebrado a caminho do Maracanã, a recomendação do técnico para não “chegar duro” no adversário, a falta de cobertura ao zagueiro Bigode, a “falha” de Barbosa, a gritaria do capitão do Uruguai, Obdúlio Varella, que teria inibido os brasileiros. Enfim, as desculpas são muitas e mostram que a única explicação para a derrota é a de que o Uruguai foi melhor que o Brasil.

A “maior tragédia do futebol brasileiro” em 1950 serviu como bela semente que germinou o esplendoroso futebol tupiniquim, hoje pentacampeão do mundo, que pouco sente em sua geração atual a falta daquele título. Mas quem viveu o dia 16 de julho de 1950 na espera da consagração, principalmente os homens que estiveram em campo, jamais esquecerão a decepção e o silêncio do Maracanã. Foi na dor que nosso futebol aprendeu a crescer.

Ps.: Texto originalmente publicado no Papo de Bola - O Site em 07.08.05.

3 Comments:

Blogger CAMBUCITROS said...

O MEU ORIENTEDOR, ESTOU CURSANDO DOUTORADO, DIAS DESSES ME CONTOU QUE ESTAVA NO MARACANÃ NAQUELE DIA FATÍDICO. ELE TINHA 14 ANOS NA ÉPOCA. O MARACANAZZO O AFETA ATÉ HOJE.

ABRAÇO

8:34 AM  
Blogger Unknown said...

Sério? Que lokura né? Esse livro conta bem como foia quilo e já vi e li outros depoimentos sobre, que revelam como foi trágico aquilo... deve ter sido doído mesmo.

Abraço!

12:12 PM  
Anonymous Anônimo said...

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»

2:03 PM  

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