NOTÍCIA DO DIA – 20.07.06
Heloísa Helena assusta?
O destaque desta quinta-feira vai para um chamado efeito Heloísa Helena nas pesquisas eleitorais para o pleito presidencial de outubro. Isso porque, a última pesquisa Datafolha (divulgada anteontem) mostrou um aumento de 6% para 10% da candidata do PSOL.
E a matéria de O Estado de S. Paulo “Voto de protesto explica subida de Heloísa Helena” tenta entender o que leva esse crescimento, que se reflete principalmente nos votos da região Sul do país, que aumentaram, caso específico de Porto Alegre, reduto de três gestões petistas consecutivas. Ou seja, os gaúchos estão insatisfeitos com o PT, mas ainda preferem uma opção à esquerda, caso da senadora Heloísa Helena.
O Estadão aponta que, de acordo com a pesquisa do Instituto Datafolha, é possível vislumbrar outro motivo para esse voto à ex-petista. Foi perguntado aos 6.264 eleitores se eles escolhiam seu candidato “porque é o ideal” ou “por não haver opção melhor”. A resposta para Lula foi positiva: 59% o acham o candidato ideal, enquanto que 36% disseram não haver opção melhor.
Já no caso de Heloísa, a avaliação é diferente: 44% a consideram a candidata ideal e 51% votariam nela por não haver opção melhor. Os números de Alckmin se equivalem: 50% na primeira pergunta e 47% na segunda.
O cientista social Rubens Figueiredo, do Cepac, foi entrevistado pelo Estadão e declarou que o voto de protesto à Heloísa é “dirigido contra dois candidatos que ao eleitorado parecem politicamente semelhantes, com as mesmas propostas sociais”. Ele afirma, ainda, que a subida da candidata não se refere apenas à aparição na mídia, lembrando que o candidato Cristovam Buarque, do PDT, também apareceu, mas não cresceu.
A matéria da Folha On Line “Protesto, ideologia e deboche explicariam a ascensão de Heloísa” explora o mesmo aspecto, trazendo, porém, mais opiniões a respeito. Opiniões toscas, é verdade, mas traz. Por exemplo, o ponto de vista do cientista político Carlos Melo, do Ibmec-SP, que diz que “parte do eleitorado vota nela mais ou menos como votava no Enéas (Carneio, do Prona), apesar de ambos estarem em lados opostos do espectro político. É o voto folclórico”. Ele acrescente: “Heloísa Helena é vista como uma espécie de outsider, alguém que vem de fora do establishment político”.
O fato de Lula ter a maior rejeição entre as mulheres, que tem grande parte do voto nulo e branco, poderia encaminhar esses votos à senadora, na visão de Marcus Figueiredo, do Iuperj. Já a posição positiva de Lula no Nordeste, onde o Bolsa Família tem mais adeptos, faz com que o candidato petista consiga mais votos entre as camadas de baixa renda, enquanto que, na classe média urbana, o descontentamento é maior.
Apesar de tudo isso, como alguns especialistas ouvido pela Folha, ainda é muito cedo para mensurar se esse aumento de votos para Heloísa Helena será duradouro, maior, se voltará para os níveis mais baixos. A campanha na televisão não começou e muitas pessoas ainda não consolidaram o candidato que vão votar. Acredito que não se deve pensar apenas na vaga para a Presidência, pois esta eleição também será para governador, senador e deputados estaduais e federais. Se você quer votar em alguém, que tenha a consciência de quem e porquê está votando, leia o programa, ouça as propostas e veja as alianças e o histórico de cada político e partido.
Analisando esse avanço de Heloísa Helena, as brigas entre o PT e a candidata por causa dessa subida na corrida presidencial, e a preocupação da imprensa tradicional com essa nova possibilidade (que até pode ajudar Alckmin, levando-o para o segundo turno com Lula) poderiam revelar que a candidata do PSOL assusta? Assusta a quem? O discurso do inconformismo, de combate à injustiça da senadora, destacados pelo especialista do Cepac ao Estadão, podem causar certa simpatia ao público, mas também críticas e receios de outras partes.
Como é o caso da nota da página A7 do Caderno Nacional do Estadão, “Para Tarso, candidata do PSOL é de direita”, pois Tarso, ministro das Relações Institucionais, critica a postura do PSOL contra os projetos da gestão Lula, como o Universidade para Todos, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e o Bolsa-Família: “Que candidatura de esquerda é essa que é contra pobre entrar na universidade? Quem candidatura de esquerda é essa que é contra o Fundeb, que amplia o ensino básico de maneira espetacular nas regiões mais pobres do país? Que candidatura se apresenta como popular e é contra o Bolsa-Família, que inclui na sociedade formal milhares de pessoas”.
Qualquer pessoa com um pouco de visão e de conhecimento de esquerda vai entender que o erro não está na crítica e sim nesses projetos que excluem ainda mais as pessoas, dividem, separam, jogam o peixe na mesa da pessoa e nunca mais voltam para lá. Por mais que beneficiem o povo, não ajudam a aumentar sua consciência e, a saber, realmente de que lado cada coisa e pessoa estão e qual o papel de cada um nessa sociedade desigual que o PT promete manter dessa forma.
Por isso, retomo a pergunta? Heloísa Helena Assusta? Assusta a quem? Apenas ao PT, pelo traumático fato de Heloísa Helena já ter pertencido ao partido, ou à burguesia, que se vê acuada com uma opção à esquerda, que, por mais que eu conteste e ache que não mudaria muito caso ganhasse, é bem melhor que Lula e demais? Pergunta no ar para uma futura resposta. Aguardemos.
O destaque desta quinta-feira vai para um chamado efeito Heloísa Helena nas pesquisas eleitorais para o pleito presidencial de outubro. Isso porque, a última pesquisa Datafolha (divulgada anteontem) mostrou um aumento de 6% para 10% da candidata do PSOL.
E a matéria de O Estado de S. Paulo “Voto de protesto explica subida de Heloísa Helena” tenta entender o que leva esse crescimento, que se reflete principalmente nos votos da região Sul do país, que aumentaram, caso específico de Porto Alegre, reduto de três gestões petistas consecutivas. Ou seja, os gaúchos estão insatisfeitos com o PT, mas ainda preferem uma opção à esquerda, caso da senadora Heloísa Helena.
O Estadão aponta que, de acordo com a pesquisa do Instituto Datafolha, é possível vislumbrar outro motivo para esse voto à ex-petista. Foi perguntado aos 6.264 eleitores se eles escolhiam seu candidato “porque é o ideal” ou “por não haver opção melhor”. A resposta para Lula foi positiva: 59% o acham o candidato ideal, enquanto que 36% disseram não haver opção melhor.
Já no caso de Heloísa, a avaliação é diferente: 44% a consideram a candidata ideal e 51% votariam nela por não haver opção melhor. Os números de Alckmin se equivalem: 50% na primeira pergunta e 47% na segunda.
O cientista social Rubens Figueiredo, do Cepac, foi entrevistado pelo Estadão e declarou que o voto de protesto à Heloísa é “dirigido contra dois candidatos que ao eleitorado parecem politicamente semelhantes, com as mesmas propostas sociais”. Ele afirma, ainda, que a subida da candidata não se refere apenas à aparição na mídia, lembrando que o candidato Cristovam Buarque, do PDT, também apareceu, mas não cresceu.
A matéria da Folha On Line “Protesto, ideologia e deboche explicariam a ascensão de Heloísa” explora o mesmo aspecto, trazendo, porém, mais opiniões a respeito. Opiniões toscas, é verdade, mas traz. Por exemplo, o ponto de vista do cientista político Carlos Melo, do Ibmec-SP, que diz que “parte do eleitorado vota nela mais ou menos como votava no Enéas (Carneio, do Prona), apesar de ambos estarem em lados opostos do espectro político. É o voto folclórico”. Ele acrescente: “Heloísa Helena é vista como uma espécie de outsider, alguém que vem de fora do establishment político”.
O fato de Lula ter a maior rejeição entre as mulheres, que tem grande parte do voto nulo e branco, poderia encaminhar esses votos à senadora, na visão de Marcus Figueiredo, do Iuperj. Já a posição positiva de Lula no Nordeste, onde o Bolsa Família tem mais adeptos, faz com que o candidato petista consiga mais votos entre as camadas de baixa renda, enquanto que, na classe média urbana, o descontentamento é maior.
Apesar de tudo isso, como alguns especialistas ouvido pela Folha, ainda é muito cedo para mensurar se esse aumento de votos para Heloísa Helena será duradouro, maior, se voltará para os níveis mais baixos. A campanha na televisão não começou e muitas pessoas ainda não consolidaram o candidato que vão votar. Acredito que não se deve pensar apenas na vaga para a Presidência, pois esta eleição também será para governador, senador e deputados estaduais e federais. Se você quer votar em alguém, que tenha a consciência de quem e porquê está votando, leia o programa, ouça as propostas e veja as alianças e o histórico de cada político e partido.
Analisando esse avanço de Heloísa Helena, as brigas entre o PT e a candidata por causa dessa subida na corrida presidencial, e a preocupação da imprensa tradicional com essa nova possibilidade (que até pode ajudar Alckmin, levando-o para o segundo turno com Lula) poderiam revelar que a candidata do PSOL assusta? Assusta a quem? O discurso do inconformismo, de combate à injustiça da senadora, destacados pelo especialista do Cepac ao Estadão, podem causar certa simpatia ao público, mas também críticas e receios de outras partes.
Como é o caso da nota da página A7 do Caderno Nacional do Estadão, “Para Tarso, candidata do PSOL é de direita”, pois Tarso, ministro das Relações Institucionais, critica a postura do PSOL contra os projetos da gestão Lula, como o Universidade para Todos, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e o Bolsa-Família: “Que candidatura de esquerda é essa que é contra pobre entrar na universidade? Quem candidatura de esquerda é essa que é contra o Fundeb, que amplia o ensino básico de maneira espetacular nas regiões mais pobres do país? Que candidatura se apresenta como popular e é contra o Bolsa-Família, que inclui na sociedade formal milhares de pessoas”.
Qualquer pessoa com um pouco de visão e de conhecimento de esquerda vai entender que o erro não está na crítica e sim nesses projetos que excluem ainda mais as pessoas, dividem, separam, jogam o peixe na mesa da pessoa e nunca mais voltam para lá. Por mais que beneficiem o povo, não ajudam a aumentar sua consciência e, a saber, realmente de que lado cada coisa e pessoa estão e qual o papel de cada um nessa sociedade desigual que o PT promete manter dessa forma.
Por isso, retomo a pergunta? Heloísa Helena Assusta? Assusta a quem? Apenas ao PT, pelo traumático fato de Heloísa Helena já ter pertencido ao partido, ou à burguesia, que se vê acuada com uma opção à esquerda, que, por mais que eu conteste e ache que não mudaria muito caso ganhasse, é bem melhor que Lula e demais? Pergunta no ar para uma futura resposta. Aguardemos.

5 Comments:
ONTEM FALEI SOBRE ISTO NO MEU BLOG.
ASSUSTA SIM.
ACHO UMA OPÇÃO FORA DA PODRIDÃO QUE ESTÁ AÍ E A TURMA DE BURGUÊS DO PFL E PSDB.
Oi Luiz, tudo bem?
Obrigado pela visita!
Eu procurei pelo seu blog e não achei o assunto, mas gostei da tua iniciativa com o blog. Aliás, futebol também é outra coisa que gosto muito!
Eu também acho uma boa opção contra essa dupla dinâmica que você citou. Só que eu acho que, numa hipotética vitória do PSOL, ela não conseguiria mudar muita coisa não, afinal, uma pessoa não faz sozinha e o PSOL ainda não está consolidado e nem acho que vai fazê-lo, com a proposta deles que cheira a um PT2, não porque eles queiram isso, mas o caminho natural poderá ser este...
As pessoas precisam ter consciência e reivindicar, lutar, e não botar a esperança de um país na mão de um rpesidente. Quando isso mudar, talvez a proposta do PSOL de governar com o povo dê certo. Até lá, não passa de fábula.
Um abraço!
Rodrigo Herrero.
É QUE NA VERDADE ESTAMOS DESESPERANÇADOS. ESTOU MUITO DESILUDIDO COM NOSSAS AUTORIDADES. E AÍ PENSO EM APELAR.
QUAL É A AUTORIDADE DE PERFIL RESPEITÁVEL NESTE PAÍS?
enquanto procurarmos autoridades respeitáveis não conseguiremos nada. a força está no povo, não em um ou dois políticos. Se ocorresse uma reunião de pessoas "respeitáveis", com a participação do povo, talvez as coisas fluiriam um pouco melhor...
a que se refere quando diz "apelar"?
Your are Nice. And so is your site! Maybe you need some more pictures. Will return in the near future.
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