sexta-feira, novembro 03, 2006

Jornais europeus destacam Lula

Em ritmo de feriado vou postar algo mais rápido aqui, pois estou cansado e também mereço folga! Vale a pena a repercussão nos dois jornais brasileiros de São Paulo (irônico isso, não?) sobre as declarações de Lula a periódicos europeus a respeito da polítca externa brasileira.

Temos dois links

Da Folha, via BBC: 'Brasil não quer liderar nada', diz Lula a jornais europeus

Do Estado, tmabém via BBC: Brasil precisa de 'Operação Mãos Limpas', afirma Lula

A primeira destaca o papel do Brasil no cenário internacional, as relações deste com os demais países, as estratégias de consolidação de uma suposta ldierança na América Latina, negada pelo presidente reeleito, o embate entre ele e Chávez no campo das relações fora da AL e até mesmo dentro do subcontinente. Já a segunda destaca a as declarações do presidente sobre a reforma política, o que o país precisa fazer para diminuir a corrupção, temas mais internos, mas que são de grande relevância para a comunidade internacional atestar credibilidade ao governo do ex-operário.

É complicado essa obrigatoriedade de ter que dar espaço a isso, contudo, hoje em dia, os países têm que passar boa imagem interna e externamente, senão exportam menos, conseguem menos empréstimos, por conseqüência, investimentos, perdem aliados, mercados. É uma interdependência danada. Claro que, as potências maiores dependem menos de passar imagem de boa Amélia, mas também dependem de sua imagem no exterior.

Voltando à análise, a diferença entre uma matéria e outra é que, enquanto a Folha colocou no começo do texto a questão das relações internacionais e colocou os debates sobre a reforma política na parte debaixo do texto, o Estado fez o contrário, destacando o que Lula falou sobre as mudanças que pretende engendrar na política brasileira. É interessante notar esse tipo de coisa, ver qual a prioridade temática - e, muitas vezes, até de interesse - de cada jornal. Nem estou dizendo que os textos estão direcionados, nada disso. Mas é bom pra saber tais diferenças quando pegarmos pela frente textos tendenciosos, que invertem uma informação para tirá-la do contexto e diminuí-la em importância, pois há interesses maiores nela, etc.

E para finalizar, uma pergunta: porque os dois jornais braisleiros pegaram o material da BBC, se o presidente Lula deu as entrevistas aos jornais europeus? Não dava pra ler, traduzir e fazer uma matéria repercutindo tais declarações? É mais fácil já copiar do que está pronto... Ê preguiça e visão empresarial que tolhe os correspondentes internacionais, enxuga redações, limita a reflexão e análise, reduzindo a qualidade nos periódicos "nativos", como diria Mino Carta.