quarta-feira, novembro 01, 2006

Edição Extra!

Não é nem 11h da manhã, mas o motivo vale um post em edição especial. No blog do Mino Carta (diretor de redação da revista Carta Capital) tem um escrito muito interessante sobre a editora Abril e o governo federal. Olha, vale a pena ler e colocar todos em estado de alerta para mais um golpe na democratização da comunicação e, também, em mais um conchavo entre mídia e pólíticos.

Se a revista Veja sempre criticou o Lula por razões ideológicas e agora resolve maneirar para ver se a Abril consegue liberação para explorar o mercado de internet - por conta de um de seus novos sócios, que comppou 30% das ações da editora -, é preciso ficar atento a essa movimentação e fazer de tudo para barrá-la, ou mesmo compreendê-la quando ler algum material "jornalístico" produzido por essa empresa. Jornalístico entre aspas por quê? Ah, fica difícil a independência que o jornalismo necessita com relação dúbia, de interesses, não acham? Leiam o texto do Mino Carta e depois digam o que acham.

30/10/2006 18:11
Civita e o governo


Engana-se quem aponta a edição de livros didáticos como o centro das pendências da Abril com o governo federal. Roberto Civita, boss da editora, mira em negócio muito mais fabuloso, a internet sem fio. Especialistas falam em centenas de milhões de reais. Outros, em bilhão.

Ao enredo: Civita tem tido conflitos recorrentes com os capatazes da revista Veja. Há alguns meses pede moderação em relação ao governo Lula. Reportagens contra o PT e a administração federal teriam sido engavetadas. Nos corredores da empresa, o boss arriscou-se a afirmar que contrataria Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, para administrar a Abril.

No início dos anos 90, a Abril ganhou de graça, e sem concorrência, concessões de MMDS no Rio, São Paulo e sul do País. A freqüência teve pouca utilidade até agora, já que a tevê por assinatura desenvolveu-se de outras formas. A internet sem fio deve, porém, utilizar essa faixa. As perspectivas do novo negócio são animadoras. Ou seja, as concessões que não valiam nada viraram ouro.

Em meados de abril passado, a Casa Civil solicitou que o Ministério das Comunicações fizesse uma consulta à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A ministra Dilma queria saber se as concessões dadas há mais de 15 anos estavam de pé ou, em nome da concorrência e da inclusão digital, não seria o caso de promover novas licitações de MMDS. Justamente nas áreas onde a Abril detém virtual monopólio.

Na Anatel, o placar foi 2 a 2. Os conselheiros indicados por FHC rejeitaram a proposta de nova licitação, o que atendia ao interesse da Abril. Os indicados por Lula foram a favor da consulta da Casa Civil. Pelas regras da agência, em caso de empate, vale a decisão anterior. Tudo ficou na mesma. Por enquanto. O governo ainda precisa indicar mais um conselheiro. Nesse caso, uma nova consulta da Casa Civil poderia interferir nos negócios da família Civita.

Diante dessa perspectiva, Civita foi à luta. Esteve reunido com Dilma Rousseff para tratar do assunto. Foi levado ao encontro por Sidnei Basile, Diretor de Relações Institucionais da Abril. Hélio Costa, das Comunicações, esteve duas vezes no prédio da Marginal Pinheiros que abriga o grupo. Enquanto isso, Civita exigia moderação dos subordinados, para não melindrar o governo.

Em tempo: os principais negócios do grupo sul-africano Naspers, que comprou 30% do capital da Abril por 422 milhões de dólares, são tevê por assinatura e, vejam só, internet. Retirado do link:

http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/
blogdomino/2006_10.html#post_18676252
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