quarta-feira, agosto 09, 2006

NOTÍCIA DO DIA – 09.08.06

Estratégia do Planalto coloca Lembo em xeque

Destaque de hoje vai para a capa de O Estado de S. Paulo, que estampa uma foto de um ônibus queimando no interior de São Paulo e o título: “Planalto atua para impor o Exército a São Paulo”. E, obviamente, para o conteúdo da reportagem que recheia as páginas do combalido Caderno Metrópole, contando da pressão que o governo federal tem exercido para que o governo paulista, sob o comando de Cláudio Lembo, aceita o envio de tropas do Exército para combater os ataques do PCC no estado.

A matéria pode ser lida aqui. O texto afirma que o Planalto estaria de olho no retorno eleitoral que essa ação poderia ensejar para si e, por isso, estaria atuando em diversas frentes para que Lembo aceite as tropas: primeiro, que o Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos tem declarado publicamente que a Secretaria de Segurança Pública deve solicitar o envio das Forças Armadas para o estado; e segundo, que os assessores da presidência da República estariam preparando um ato público para a próxima sexta-feira (11), com a visita de Lula ao quartel-general do Comando Militar Sudoeste (CMSE), que fica em São Paulo, para passar em revista os 2.400 recrutas que entraram no Exército em julho. Não custa informar que o CMSE tem, em seu total, 20 mil homens prontos para ir as ruas.

Em outra matéria que consta na cobertura feita pelo jornal, analistas alertam que o Exército obedece apenas ao presidente da República, não podendo o governo do estado dar nenhum tipo de pitaco. “O comando do Exército é do presidente da República, de acordo com artigo 142 da Constituição Federal. Isso é inquestionável”, disse para o jornal O Estado de S. Paulo o criminalista Luiz Fernando Pacheco. O advogado Amauri Serralvo, especialista em Direito Militar, concorda: “As autoridades locais não podem comandar o Exército”, afirmou, lembrando que essa é função somente do comandante do Exército, subordinado ao presidente.

Ou seja: Lula ficaria com todas as cartas na manga para decidir o que fazer no combate à violência do PCC. Mas, o que a reportagem não coloca é que não haveria muita vantagem de Lula tomar as rédeas dessa forma, o que acabaria indo contra a sua imagem atual de estadista, democrata, de um governo republicano que respeita as instituições, etc., aquela pataquada toda que o PT incorporou em seu discurso ao longo de sua história eleitoral, se integrando ao sistema burguês de dominação.

Mas o que a reportagem primeira citada aqui aborda é a chamada “tripla vitória” que Lula teria nesse embate, conforme análise dos “estrategistas do Planalto”, pois, se o governador Lembo não pedir o Exército e o PCC atacar no Dia dos Pais (quando serão libertados 11 mil presos, devido ao indulto deste feriado), ele terá de dar explicações. São elas, segundo apontamento do jornal: “1) Lula ganharia ao mostrar que o governo paulista não conseguiu controlar o PCC sozinho; 2) ganharia ao vincular a sensação de segurança da população ao Exército nas ruas; 3) e ganharia ainda mais caso, após o regresso do Exército aos quartéis, o PCC voltasse a atacar - o que funcionaria como uma espécie de prova dos nove de que a crise de segurança paulista não se resolve sem a ajuda da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Assunto que seria pautado como tema do horário político-eleitoral”, escreve Godoy na reportagem.

Não é a toa que o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu, tem batido desesperadamente no governo federal, chegando ao cúmulo de acusar que o PT estaria por trás dos ataques do PCC no estado de São Paulo. Isso fez Lula rebater, como mostra matéria da Agência Estado: Eu acho que alguém que exerce o cargo de secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo deveria ser mais sensato na hora de abrir a boca. E, ao invés de tentar acusar quem quer que seja, deveria tentar evitar que essas coisas estivessem acontecendo em São Paulo", disse Lula em entrevista concedida à rádio Capital AM.

A incompetência e a inércia dos governantes chega às raias do cômico, pois, em vez de buscarem soluções para resolver o problema, ficam se digladiando em declarações destemperadas pela imprensa, agredindo-se mutuamente. Pior para o puro desespero tucano, que bate para ver se machuca, mas que sangra, a cada dia e ataque do PCC que passa, pois, não encontrou solução para a violência em São Paulo, e, muito menos, uma candidatura sólida para enfrentar o bom desempenho de Lula, na visão do povo, em seu primeiro mandato.

Enquanto isso, o presidente observa tudo de cima, tranqüilo, pois a bomba não está em suas mãos e, ainda, oferece ajuda, o que, caso aconteça alguma tragédia em São Paulo, não poderá ser culpado, já que teve sua colaboração rejeitada por Lembo e companhia. E ainda ganha alguns pontos porcentuais nas pesquisas eleitorais, com sua desenvoltura peculiar dos tempos de operário na República de São Bernardo.