terça-feira, julho 25, 2006

NOTÍCIA DO DIA – 25.07.06

Fracasso das negociações na OMC é destaque

O Estado de S. Paulo de hoje estampa na capa do seu Caderno de Economia o insucesso das negociações na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). A matéria destaca que esse imbróglio sem solução teria sido um fracasso da política exterior do governo Lula, pois, esta seria a “maior aposta da diplomacia comercial do presidente”, como inicia o lide do texto, reforçado pelo título expõe: “Fracasso na OMC derrota política externa de Lula”.

O assunto também recebeu destaque nas páginas B3 e B4 do jornal, tratando da repercussão entre os países e a solução que poderá ser adotada daqui pra frente, principalmente quanto a recursos que poderão ser feitos aos tribunais e recuos dos acordos anteriores, pondo totalmente em risco a situação que já estava complicada.

A Rodada de Doha, lançada em 2001, está paralisada oficialmente a crise deflagrada, com acusações de todos os lados: europeus, indianos e brasileiros atribuem a culpa aos Estados Unidos e sua falta de flexibilidade quanto a redução de seus subsídios domésticos para a agricultura. Washington propunha uma redução de US$ 4 bilhões no valor, baixando de US$ 22 bilhões para US$ 18 bilhões. Já os estadunidenses criticam uma suposta ausência no corte das tarifas de importação por parte dos europeus.

De qualquer forma, o problema é visto com gravidade pelo governo brasileiro, como uma declaração do chanceler brasileiro, Celso Amorim, feita ao Estadão, deseja mostrar: “O sistema multilateral da OMC está passando pela sua crise mais grave desde a sua criação”. Ele teria culpado a falta de uma liderança política para direcionar as decisões e superar os impasses.

Aprofundando a tese da matéria do jornal, o trecho a seguir colocado por Amorim evidencia essa preocupação: “Para o Brasil, que apostou tanto nessa negociação, a situação é triste. É triste porque colocamos muita energia nesse processo. Na realidade, poucas vezes os países em desenvolvimento colocaram tanta energia em um processo como no caso da atual rodada da OMC”.

A derrota do Brasil na OMC porque o governo Lula apostava nessa Rodada de Doha para dar andamento em sua política externa – e que foi barrada definitivamente, pois neste ano, devido a essa parada, não haverá mais negociação – mostra que, ao contrário do que o governo deseja mostrar, o Brasil não tem toda essa projeção para liderar negociações e, apesar de querer liderar o grupo dos países emergentes, precisa trabalhar de forma cooperativa para manter um bom relacionamento e conseguir dividendos para seu mercado interno e sua política de boa vizinhança na América Latina.

A propósito, esse lançamento brasileiro como potência hegemônica local não é bem visto na América do Sul, principalmente pela Argentina e até pela Venezuela, que quer um espaço de mais destaque para apregoar sua ideologia bolivarista aos quatro cantos da América. Portanto, é mais importante que o país se mostre realista em sua ações e busque acordos cooperativos com nações emergentes, desenvolvidas, em desenvolvimento, subdesenvolvidas, e pare com essa megalomania de querer liderar e desejar negociar de forma multilateral com todos os países.

O problema dos subsídios para a agricultura sempre vem à tona e não há resolução para tal, pois cada nação busca o melhor para si e essa espécie de egoísmo internacional não irá acabar. Mas claro, se acordos bilaterais forem feitos, fortalecendo os blocos econômicos regionais, para ver se a posteriori as negociações são facilitadas. Ao menos esses blocos podem indicar um avanço entre as regiões aliadas, já que ninguém deseja ceder e todos querem o máximo para si. Essa é uma situação que não há como modificar de forma substancial.

2 Comments:

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Anonymous Anônimo said...

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